08 de julho de 2026
Política

'Bauru será plataforma de exportação'

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), acredita que a estrutura logística da região de Bauru centrada em uma conexão intermodal vai fazer da cidade uma excelente oportunidade de crescimento através de uma plataforma de exportação. Alckmin destaca os investimentos do Estado que transformam a estrutura rodo-ferro-hidro-aeroviária da cidade e da região.

Em entrevista concedida ao JC, o governador comenta que as oportunidades para a plataforma de exportação estabelecida em Bauru vão, ainda, fortalecer a geração de riqueza, renda e emprego através de negócios como a agroindústria e o agronegócios. Leia os principais trechos da entrevista:

Jornal da Cidade - Há o risco do governo ter que fazer revisão dos investimentos em função de queda na arrecadação do Estado? Geraldo Alckmin - A arrecadação teve uma queda nos meses de abril, de R$ 37 milhões, e maio, R$ 50 milhões até agora. Isso retrata a perda de força da economia em razão desse momento de maior retração da atividade econômica. Esperamos que isso seja passageiro e que no segundo semestre esse quadro se reverta. Mas nós somos cautelosos e São Paulo, mesmo na situação mais difícil, tem fechado o ano com déficit público zero, com as contas rigorosamente ajustadas. Até este momento estamos conseguindo manter as contas equilibradas, ajustadas e ainda não há necessidade de maiores cortes.

JC - Qual o cenário? Alckmin - Esperamos que isso se reverta no segundo semestre. E o que nos preocupa não é nem a arrecadação. Porque quando há retração nós acompanhamos, apertamos o cinto se for preciso e ajustamos. O que nos preocupa é o emprego, o aumento do desemprego. Por isso, o esforço todo e a expectativa em torno da última reunião do Copom, do Banco Central, para que a taxa de juros sofresse queda. Não há inflação de demanda neste momento e não há motivo para a taxa de juros no patamar atual ser mantida. É um sacrifício que prejudica o trabalhador, a renda e o emprego. E isso nos preocupa muito mais do que a receita do Estado neste momento.

JC - Qual a situação da discussão sobre aumento de teto para o Estado junto ao Ministério da Saúde? Alckmin - A conversa vai indo bem com o Ministério da Saúde. Para você ter uma idéia, o Estado de São Paulo é o único do Brasil que hoje paga AIH, Autorização de Internação Hospitalar. O Estado paga 2 mil autorizações por mês. E isso acontece porque nossa demanda de serviços prestados está acima do que o governo federal repassa ao setor. E é um serviço adicional quando somamos o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a rede filantrópica e a rede estadual. Isso faz com que o Estado estoure o teto de AIH em mais de R$ 12 milhões. O Estado está ajudando a bancar. São quatro hospitais fora do SUS que o Estado paga. É Bauru, Santo André, Vila Prudente e Sapopemba, estes dois na capital. Esses hospitais nós não conseguimos incluir no SUS porque não tem teto. Se incluíssemos teríamos que sacrificar as Santas Casas e os filantrópicos. Mas quero reiterar nosso compromisso com o atendimento e a qualidade. O Hospital Estadual de Bauru é um dos maiores do Interior do Estado, chega hoje a 170 leitos e a qualidade do atendimento é a marca. Hoje vamos colocar em funcionamento mais 22 leitos de UTI. Vamos corrigir o teto para São Paulo com o Ministério de Saúde.

JC - A situação de internações é regular? Alckmin - Não somos o Estado brasileiro que mais interna. A média brasileira é de 6,6% da população brasileira internada/ano. E em São Paulo é 5,6%/ano. Mas a internação nossa é mais cara, porque é formada por casos de maior complexidade. E grande parte dos casos de complexidade do País é atendida pelos paulistas.

JC - Qual o critério que o senhor vai adotar com a concentração de pedidos ao governo através dos encontros regionais como este de Bauru? Alckmin - Na realidade, o sentido do Fórum de Desenvolvimento Regional não é o de pedidos pontuais dos municípios. Isso sempre acontece e vamos fazendo convênios à medida que isso é possível e através de parcerias. Neste encontro em Bauru, eu conversei com o prefeito Nilson Costa e ele me apontou a necessidade de duplicar a avenida de acesso à Unesp, passando pelo Hospital Estadual. Houve uma dúvida no valor da obra, cujo custo foi levantado há alguns meses. Mas o que nós acertamos é que o valor será atualizado e o Estado vai entrar com 80% do total, independente da soma a ser atualizada, e o prefeito vai cumprir com 20% do custo. Isso é uma parceria. Mas o objetivo do fórum é nós discutirmos juntos o maior desafio das regiões que é o emprego. Esse é o grande problema do mundo moderno. O que pode ser feito para alavancar o emprego. O governo gera empregos com investimentos, mas a demanda é imensa. Mas na realidade temos que criar condições para agregar valor e riqueza. E a logística de Bauru é muito boa. Temos uma ligação intermodal com a hidrovia Tietê-Paraná, temos a obra do novo aeroporto em andamento, a ferrovia está em recuperação e as oportunidades rodoviárias são muito boas.

JC - E qual a diretriz do governo do Estado em cima dessa logística regional? Alckmin - Através dessa logística, eu entendo que a região de Bauru pode ser uma grande plataforma de exportação. Bauru terá excelentes oportunidades com suas vocações próprias e associadas à agroindústria, agronegócio e tem oportunidades que vão se acentuar no setor industrial. Bauru será uma plataforma de exportação no Centro do Estado.

JC - Em uma reunião que contou com 38 municípios, na Câmara de Bauru, os tucanos chamaram o partido para candidaturas próprias a prefeito para fortalecer o nome do senhor para a sucessão de Lula. Como o senhor vê essa repetição de esforço em torno do seu nome? Alckmin - Esse pessoal é totalmente sem juízo. A nossa tarefa é de trabalhar, governar, suar a camisa, para fazer um bom trabalho pelo Estado. Eu fico até feliz com essas movimentações sob a ótica do entusiasmo de trabalhar por este Estado. É hora de trabalhar e temos quatro anos pela frente. Na semana passada, um instituto respeitado da Suíça publicou o ranking das economias mais competitivas do mundo e o Estado de São Paulo está em 13.º lugar, na frente da Índia, da Itália, da Rússia, da África do Sul, de toda a América Latina, do Brasil - que é o 21.º, da Coréia, etc. Isso mostra o grau de eficiência de nossas empresas, da boa gestão, do avanço em termos de educação e recursos humanos. Acho que isso é muito importante. Por isso, o nosso empenho com diretrizes: o governo empreendedor com apoio à pequena empresa (aumentamos o Simples Paulista com alíquota zero para empresas com faturamento de até R$ 150 mil/ano), governo educador (esforço para ampliar as escolas técnicas e qualidade na escola pública), o governo bom prestador de serviço público (exemplo da Segurança Pública, onde Bauru troca uma Cadeia velha, ruim, por um moderno Centro de Detenção Provisória). A questão das candidaturas é uma questão do partido. O partido escolhe os candidatos, discute. A tarefa do governador é governar para os paulistas.