Azarar, tentar uma aproximação com alguém buscando um namoro ou uma aventura amorosa. É essa a definição de paquera para o lexicógrafo Aurélio Buarque de Hollanda. Já para o terapeuta Sérgio Savian, 49 anos, 22 deles trabalhando com relacionamento, a paquera é uma brincadeira de gente grande.
Recentemente, ele lançou o primeiro livro de uma série que julga indispensável para quem pretende ser um bom conquistador.
Entre outras proezas, Savian, reconhecido nacionalmente como o “guru do amor”, ensina o leitor a exercitar seu lado sedutor sem ser piegas ou vulgar e conhecer as melhores estratégias para mergulhar numa aventura muito agradável: conhecer gente nova, conversar, aproveitando intensamente cada encontro.
“Quando se fala em paquera, todo mundo se interessa, os rostos se abrem e os sorrisos aparecem. Não é à toa, afinal a paquera dá à vida um belo colorido, que acaba por contaminar o cotidiano.”
Por isso, em “Paquera - Brincadeira de Gente Grande” (Editora Celebris), o autor apresenta um verdadeiro compêndio de dicas e estratégias para quem pretende ser um expert no assunto.
“Para ser um bom paquerador, ao contrário do que se imagina, não é preciso ter um carro último tipo e olhos azuis. É possível aprender a exercitar o lado sedutor a partir das próprias potencialidades”, conta Sérgio.
O terapeuta tem várias obras abordando a temática do amor e viaja pelo Brasil e por países como Suíça, Alemanha, Espanha, México, Venezuela e Argentina com a sua Escola de Relacionamento, ministrando palestras e vivências que promovem a mudança de hábito nos relacionamentos amorosos. No livro, sutilmente, ele dá mais toques aos homens e revela que os rapazes são muito inseguros. Afinal, desde que o mundo é mundo se espera uma atitude maior do homem do que da mulher, que acaba levando vantagem em tempos de comunicação cada vez mais unissex.
“Os homens são muito inseguros na hora de tomar iniciativa. Eu tenho certeza! Trabalho com isso há tanto tempo e percebo que os homens ficam extremamente sem saber o que fazer, principalmente porque a paquera envolve uma coisa de intuição”, sentencia.
O bom paquerador tem que ter feeling para saber o que ela está pensando. “Isso é uma leitura intuitiva e o homem não é muito bom nessa questão, não liga para detalhes. A mulher é muito melhor nisso, é muito mais observadora, detalhista. Como os homens têm que usar sensibilidade e empatia com o feminino. Eles ficam totalmente perdidos, se sentem peixe fora d’água mesmo. É claro que os mais extrovertidos, mandam bem nessa hora. Mas, em geral, tem muito homem que se sente tímido e até inadequado.”
Rituais
Para Savian, devido à excessiva objetividade da vida contemporânea, as pessoas estão indo muito direto ao sexo. Com isso deixam de desfrutar todo o processo de conhecer uma nova pessoa, com toda a sua rica experiência. “Conversar, jantar, ir ao cinema, marcar outro encontro, tudo isso pode ser muito bom”, afirma.
Ele aponta que, nesse sentido, as pessoas acabam vivendo relacionamentos superficiais. Ao invés de se paquerar, se “canta”, ou com medo de se envolver cresce a legião de Don Juans que usam a paquera pela paquera.
“Nós estamos vivendo um momento em que as pessoas têm um medo muito grande da intimidade, de se aprofundar num relacionamento. É tudo muito superficial. As pessoas se editam para esconder o lado escuro, o lado ruim e num relacionamento não existe maneira de não mostrar todos os seus aspectos.”
No mundo moderno, as pessoas se preocupam com o corpo, silicone, academia, se sofrem de algum problema preferem tomar anti-depressivo do que resolver a questão, o sucesso é um valor cultuado e com isso o espírito fica cada vez mais pobre e os relacionamentos acabam por não existir.
O livro comprova que a paquera é, de fato, um caminho muito saudável. De acordo com o especialista, quando uma pessoa paquera ou é paquerada, seu organismo produz mais adrenalina e seu sistema nervoso é ativado, aumentando o conhecimento de si mesma e a capacidade de tomar iniciativas.
Para Savian, a sensualidade pode estar de mãos dadas com o caráter, mas sem ser vulgar. “Hoje se confunde o cara bom de cama com o sacana, o violento. Está na hora de resolver os mal-entendidos sobre sexualidade. Está mais do que na hora de entender que a sensualidade é um truque, é como temperar um prato com pimenta. É possível, sim, ter uma paquera levando em consideração a outra pessoa.”
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As dez gafes da paquera
1. Não reclame da vida num primeiro encontro. Já está todo mundo cheio de problemas e por isto não seja mais um para colaborar com o baixo astral. A paquera funciona mais quando é bem-humorada.
2. Não fale mal de você. Se toma antidepressivos ou se já fez tratamento em um hospital psiquiátrico, ninguém precisa saber disso. Se você está sendo processado por sua ex-mulher porque não paga a pensão de seu filho, guarde segredo. Espere adquirir mais confiança antes de falar de assuntos mais reservado.
3. Evite temas polêmicos como política, religião ou futebol, quando cada um tem suas convicções e ninguém abre mão da própria opinião. Evite o clima constrangedor do atrito.
4. Não beba demais. Tem gente que só sabe se descontrair enchendo a cara, mas torna-se inconveniente, perdendo a noção do que diz. Só o bêbado não sabe que ele é muito chato.
5. Você pode vestir uma roupa da moda e fazer pose de artista. Pode usar frases feitas ou fazer de conta que é sexy. E na hora da paquera fica tão travada que mais parece uma flor de plástico. Você tem muito mais possibilidade de se dar bem na conquista sendo apenas você.
6. Não adianta nada se preocupar com o que fala ou com a sua atitude se não prestar atenção em assuntos mais óbvios como a higiene. Cabelos, unhas, dentes e hálito agradável são um belo cartão de visitas.
7. Falar o tempo todo dos antigos namoros pode incomodar a sua paquera. Deixe para tocar nesse assunto quando vocês já estiverem mais íntimos ou nunca fale neles.
8. Existe o momento certo para o assunto certo. Qualquer mulher gostaria de ser chamada de gostosa, mas talvez a melhora hora não seja no início de uma conversa, mas quando já estiver na cama com ela.
9. Existem alguns homens que confundem paquera com lisonjeio. E quando terminam a seqüência de elogios não têm mais nada a dizer. Que tal relaxar e ser você mesmo? O papo fica mais agradável quando você é simplesmente amigo.
10. E, se você é do tipo que só sabe ficar amiguinho, não se surpreenda quando ela lhe disser que precisa falar com as amigas e logo depois você a vê conversando e se divertindo com uma outra pessoa.