Itapuí - Moradores do bairro Mar Azul 2, em Itapuí (50 quilômetros a Nordeste de Bauru), estão incomodados com a demora da prefeitura em dar fim a um depósito de lixo que se formou próximo às residências.
No local são depositados entulhos, lixo domiciliar, galhos de árvore e até animais mortos. Além do mau-cheiro, o lixão invariavelmente espalha fumaça para todo o bairro. Os próprios moradores ateiam fogo no lixo e acabam incomodando toda a comunidade daquele local.
Para acabar com esse martírio diário, um grupo de moradores tem procurado insistentemente a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em busca de solução para o problema.
No entanto, dizem que estão perdendo a esperança de que algo mude para melhor. Segundo os moradores, eles convivem com o incômodo há cerca de três anos. Desde então, vêm protestando contra o depósito de lixo no bairro, mas até hoje não obtiveram uma resposta concreta para solucionar o caso. Nem da prefeitura, nem da Cetesb.
“Estamos abandonados”, reclamou a dona de casa Ivone Destro Gerônimo. Segundo ela, o prefeito Sylvio de Almeida Prado Rocchi (sem partido) já visitou o local, disse que iria determinar o fim do depósito, mas até o momento nada foi feito.
Durante a presença da equipe de reportagem do JC no local, na semana passada, caminhões da prefeitura continuavam depositando lixo no terreno - distante a poucos metros das casas. Foi possível até mesmo observar crianças brincando no meio da sujeira.
Embora tenha dito aos moradores que resolveria o problema, o prefeito confessa que não tem onde jogar os entulhos e os galhos de árvores.
Segundo ele, a Cetesb proibiu o município de jogar esse material no aterro sanitário. Diante disso, Sylvio Rocchi se viu “sem opções”. “Não tem outro lugar (para jogar esse lixo)”, disse.
Uma das alternativas, segundo informou, é tentar obter das empresas canavieiras um terreno longe do perímetro urbano para depositar esse lixo.
“Estou tentando resolver isso, mas está difícil”, comentou o prefeito. Ele tenta também se livrar da responsabilidade pelo “lixão” dizendo que o problema “vem de outras administrações”.
Enquanto o impasse não se resolve, os moradores são obrigados a conviver com o vizinho indesejado.
“O mau-cheiro incomoda, mas ruim mesmo é a fumaça”, disse Ivone. Para piorar ainda mais a situação, ela possui rinite alérgica e sente falta de ar quando a fumaça toma conta do bairro.
Antônio Garcia, marido de Ivone, informou que todos sabem quem são os incendiários, mas não tem muito o que fazer para impedi-los, já que o acesso ao “lixão” é livre.
Para a dona de casa Darci Alves, o “cheiro de carniça” fica ainda mais forte com o calor e com o vento. Segundo ela, até cavalo morto já foi despejado no terreno.
“Não é justo a gente viver desta forma. Nós temos que lutar pelos nossos direitos”, protestou Vilma de Camargo Marcondes, outra moradora do bairro.
Garcia colocou a casa à venda. Ele quer ir morar em um lugar melhor, sem tantos problemas, mas até agora ninguém quis comprá-la.
Segundo o morador, há um processo, movido por ele contra a prefeitura, em tramitação na Justiça, por causa do “lixão” e da falta de infra-estrutura no bairro.