Engasgos freqüentes, sensação de comida parada na garganta, náusea e tosse durante as refeições podem ser sinais de disfagia - um distúrbio caracterizado pela dificuldade de engolir. Segundo especialistas, o problema pode aparecer em qualquer idade e pode matar se não for tratado.
A pessoa corre o risco de morrer asfixiada com um alimento entalado na garganta. Ou pode morrer por desnutrição, já que ela não consegue se alimentar adequadamente. Outras vezes a pessoa morre por pneumonias de repetição, porque aspira alimentos para o pulmão e isso atrai bactérias.
O assunto foi amplamente discutido esta semana, em Bauru, durante o 1.º Encontro Nacional de Nutrição em Disfagia e 2.º Encontro Internacional de Disfagia realizado pelo Hospital de Reabilitação das Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP).
De acordo com a fonoaudióloga Izabel Botelho, coordenadora do Ambulatório de Disfagia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a disfagia é um sintoma e pode estar relacionada a inúmeras doenças. As vítimas mais freqüentes são os bebês prematuros e pessoas que sofreram alterações neurológicas.
“Qualquer alteração neurológica, seja de nascença, por traumatismo craniano, AVC (derrame), Parkinson, Alzheimer, é risco para disfagia. O comprometimento de determinadas regiões do cérebro pode levar à perda da capacidade de deglutição. Cerca de 90% dos pacientes do nosso ambulatório são adultos com AVC”, afirma.
Segundo ela, 70% a 80% dos pacientes tratados voltam a se alimentar normalmente. Quando a causa é uma lesão cerebral, o trabalho do profissional é fazer o cérebro “recordar” o funcionamento do mecanismo de deglutição.
Quando a causa é uma alteração fisiológica (as estruturas envolvidas no processo não trabalham adequadamente), a terapia consiste em ensinar o paciente a sentir o mecanismo da deglutição e adotar medidas que driblem a dificuldade.
No caso dos bebês, o risco de disfagia é maior entre os prematuros (pela imaturidade orgânica) e os que nascem com alguma doença neurológica. Para eles, o tratamento consiste em exercitar as estruturas da boca e garganta para executar o trabalho de deglutição.
Botelho defende que o tratamento da disfagia, em qualquer idade, precisa ter acompanhamento multidisciplinar. Cabe ao médico otorrinolaringologista identificar as causas do distúrbio, cabe ao pneumologista acompanhar a saúde dos pulmões, cabe ao fonoaudiólogo treinar o paciente e ao nutricionista balancear a alimentação.