07 de julho de 2026
Saúde

Processo complexo da deglutição

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A mecânica da deglutição envolve diversas estruturas que vão da boca até o estômago. De acordo com a fonoaudióloga Izabel Botelho, o processo é classicamente dividido em três fases: oral, faríngea e esofágica.

A fase oral engloba todos os movimentos que ocorrem na boca. No adulto, refere-se ao trabalho de mastigação, em que há movimentos da mandíbula, atrito entre os dentes e movimento da língua deslocando o bolo alimentar de um lado para o outro. Ao final desta fase, o bolo é posicionado no centro da boca, na porção posterior da língua.

No recém-nascido, esta etapa resume-se ao trabalho de sucção. Nos primeiros meses de vida, o bebê tem a mandíbula pequena e retraída e a língua apóia-se sobre a gengiva, ficando em contato com o lábio inferior. Esta postura facilita a “pega” do mamilo da mãe. Durante a mamada, a língua eleva-se (pressionando o mamilo contra o palato) e faz movimentos ondulatórios para sugar o leite.

Na fase oral, o palato mole permanece abaixado, vedando a passagem do alimento entre a boca e a faringe. Desta forma, a respiração nasal é mantida.

Quando o alimento está pronto para ser deglutivo e atinge a parte posterior da boca, o cérebro dá uma ordem para o início da fase faríngea (confira ilustração). O palato mole se eleva (1), interrompendo a comunicação entre a boca e a cavidade nasal, enquanto as pregas vocais se fecham, e a epiglote (2) se abaixa para obstruir a entrada da laringe e a língua empurra o alimento para baixo.

“Esses movimentos causam uma apnéia fisiológica, ou seja, a pessoa pára de respirar por um segundo. Se não houvesse esse mecanismo, o alimento poderia cair nos pulmões. O engasgo nada mais é que uma falha neste processo. A pessoa tosse para expulsar o resíduo da traquéia”, comenta.

Imediatamente, o cérebro ordena a abertura do esfíncter do esôfago (fase esofágica), que faz movimentos ondulatórios (ondas peristálticas), empurrando o alimento até o estômago, onde começa outro processo - a digestão.

A disfagia (dificuldade de engolir) pode ocorrer em qualquer ponto deste mecanismo. A falha mais grave é a aspiração do alimento para a traquéia e/ou pulmões. Detectar onde ocorre o problema é essencial para se definir o melhor tratamento.