08 de julho de 2026
Saúde

Diagnóstico é feito por nasofibroscopia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Por ter sinais bem característicos, a disfagia pode ser facilmente diagnosticada durante uma avaliação clínica. No entanto, o Ambulatório de Disfagia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem inúmeros trabalhos mostrando que o exame de nasofibroscopia pode ser fundamental na definição de um tratamento.

O exame é feito com uma microcâmera de fibra óptica flexível introduzida pelo nariz até a faringe. O equipamento permite ao médico acompanhar toda a fase faríngea da deglutição em detalhes. As imagens são transmitidas através de um videocassete e um televisor.

O procedimento é realizado sem qualquer tipo de anestesia. Segundo o médico Ari de Paula (Unicamp), o paciente não sente dor, apenas um incômodo que ele garante ser pequeno e passageiro.

O exame dura entre 20 e 30 minutos. Com a câmera posicionada, o paciente começa a receber alimentos com consistências diferentes: água, leite, iogurte, mingau, papinha. Cada vez que engole, o aparelho registra o funcionamento das estruturas envolvidas.

Alterando os alimentos é possível, estabelecer qual é a melhor consistência para aquele paciente - a consistência que permite uma alimentação mais segura.

Paralelamente, o objetivo principal da avaliação é detectar qual é a falha no processo e onde ocorre a disfagia - se nas pregas vocais, na epiglote, na traquéia e assim por diante.

De acordo com a fonoaudióloga Izabel Botelho, coordenadora do Ambulatório de Disfagia da Unicamp, algumas vezes o mecanismo funciona bem, mas o paciente não tem a sensibilidade suficiente na garganta para “disparar” o mecanismo. “Nesses casos, o fonoaudiólogo vai montar exercícios que aumentem essa sensibilidade”, explica.

“A interpretação do sinal é determinante para a definição do tratamento”, salienta a fonoaudióloga Roberta Silva (Unesp/Marília).

“Se o profissional observa um resíduo alimentar em determinada cavidade, é preciso avaliar se esse resíduo é momentâneo, se já estava ali ou se foi imediatamente após a ingestão do alimento. Saber que há o resíduo confirma a disfagia, mas é preciso saber onde está a falha para se definir o tratamento”, reforça.

Izabel Botelho observa, porém, que o tratamento nem sempre é eficaz. A terapia requer treinamento e isso exige cognição. “Quando a equipe de profissionais percebe que o paciente tem lesões severas, perdeu a capacidade cognitiva e não vai aprender, indica-se a gastrostomia para salvar-lhe a vida”, informa.

A gastrostomia é uma cirurgia em que se coloca uma sonda no estômago do paciente. Ao invés de ser alimentado pela boca, a comida é colocada diretamente no estômago através da sonda.

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Pioneirismo

A fonoaudióloga Izabel Botelho, coordenadora do Ambulatório de Disfagia da Universidade Estadual Paulista (Unicamp) alerta que a disfagia é pouco divulgada e pouco estudada pelos profissionais. Izabel foi uma das pioneiras no estudo do distúrbio e hoje comemora seu empenho formando outros profissionais.

“Em 1983, um neonatologista entrou na sala dos fonoaudiólogos pedindo que um deles fosse ensinar um recém-nascido a sugar. Chamaram uma professora minha e em 15 dias o bebê já estava se alimentando. Ele morreu alguns meses depois e a professora concluiu que ele precisaria ter sido tratado mais cedo”, lembra.

A história ficou na memória até que, em 1988, contratada pelo Hospital Maternidade de Campinas, Izabel pediu para trabalhar com recém-nascidos disfágicos. Ela passou seis meses observando bebês nascidos a termo (no tempo certo), depois mais seis meses estudando os bebês da Unidade de Terapia Intensiva para recém-nascidos (UTI neonatal).

“Fui massacrada inicialmente. Os médicos faziam piadinhas, diziam que eu queria ensinar recém-nascidos a falar. Até que nasceu uma criança de uma família muito rica - a quarta fortuna do País na época. O bebê tinha uma síndrome que causava disfagia e eu tratei dele. Até onde eu sei, ela é a única criança com esta síndrome que sobreviveu e hoje está com 13 anos”, orgulha-se.

Foi a partir deste fato que o hospital passou a ver com mais atenção o trabalho desenvolvido pela fonoaudióloga. O que começou como piada se transformou em curso de especialização. Hoje, Izabel comemora os mais de 150 profissionais especializados em disfagia pela maternidade.