08 de julho de 2026
Saúde

Impotência: drogas geram polêmica

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Dois medicamentos lançados em abril para o tratamento da impotência sexual masculina (disfunção erétil) têm causado polêmica entre os médicos. De acordo com o urologista Estevam Lozano Cruz, este foi um dos assuntos mais debatidos durante o Congresso da Associação Americana de Urologia, realizado recentemente em Chicago (Estados Unidos).

Segundo o médico, os novos medicamentos já são comercializados em boa parte do mundo, inclusive no Brasil. Porém, o Food and Drug Administration (FDA) - órgão que controla a circulação de remédios e alimentos nos Estados Unidos e que é tido como referência mundial - ainda não aprovou as novas drogas e diz que levará algum tempo fazendo testes antes de aprová-las.

“O FDA é muito rigoroso e nenhum remédio pode ser comercializado nos Estados Unidos antes do aval deste órgão”, explica o médico. Segundo ele, o congresso de Chicago reuniu 13 mil profissionais de todo o mundo, sendo 9 mil norte-americanos. Para estes, as novas drogas devem ser avaliadas com cautela.

A descoberta do Viagra (laboratório Pfizer), em 1998, revolucionou o tratamento da disfunção erétil ao garantir ereção por cerca de três horas. A pílula azul reinou praticamente sozinha até abril deste ano, quando foram lançados dois novos medicamentos.

O laboratório Eli Lilly anunciou o Cialis (tadalafil), com a promessa de efeito por até 36 horas ou um final de semana inteiro. Na mesma semana, os laboratórios Bayer e GlaxoSmithKline lançaram o Levitra (vardenafil), prometendo uma ereção dez vezes mais potente que a de seus concorrentes.

“O problema é que os laboratórios fizeram muita propaganda dos remédios entre os pacientes e pouca informação chegou aos médicos. A maioria dos profissionais ainda não testou os novos medicamentos, só tem referências de alguns trabalhos”, salienta Cruz.

Neste sentido, o Viagra tem a seu favor a vantagem de já ter sido usado por 22 milhões de pessoas desde que foi lançado como a primeira droga oral contra impotência.

Na prática, as três drogas têm o mesmo mecanismo de ação: elas inibem uma enzima (fosforodiesterase-5) e prolongam o efeito de outra substância orgânica (GMP cíclico) que facilita a dilatação das artérias do pênis. Isso permite a entrada de mais sangue, o que resulta numa ereção mais rígida e por mais tempo.

Segundo Cruz, as diferenças estão no início e duração do efeito. “O Viagra demora uma hora para começar a fazer efeito e dura cerca de três horas. O Levitra promete fazer efeito em meia hora e durar seis a oito horas. Já o Cialis promete até 36 horas de duração. Isso não significa ereção contínua. Os remédios só agem quando há um estímulo, mas o homem estaria pronto para a ereção naquele período”, esclarece.

Especialistas advertem, porém, que apesar das promessas instigantes, é preciso considerar que os remédios têm efeitos colaterais e que são contra-indicados para pacientes cardíacos que estejam tomando nitrato.

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Disfunção atinge 12 milhões no Brasil

A disfunção erétil é caracterizada pela incapacidade que alguns homens têm de obter e manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. O distúrbio afeta cerca de 150 milhões de homens em todo o mundo, sendo aproximadamente 12 milhões de brasileiros.

Estima-se que 80% dos casos sejam causados por alterações fisiológicas, como doenças cardiovasculares, tabagismo e diabetes, sendo os 20% restantes causados por alterações psicológicas. Em muitos casos, ambos os fatores estão envolvidos.

Quando o homem recebe um estímulo externo, o organismo desencadeia um conjunto de reações químicas que levam à ereção. Uma substância chamada óxido nítrico causa a produção de outra substância vasodilatadora (GMP cíclico), que aumenta o fluxo de sangue para o pênis. Este é formado pelos chamados tecidos cavernosos - que se expandem quando invadidos pelo sangue. É a ereção.

Doenças ou distúrbios psicológicos podem bloquear essas reações químicas, causando a disfunção erétil. O problema pode ser tratado de várias formas, seja com atendimento psicológico, medicamentos orais, injeções ou próteses penianas. Cabe ao médico avaliar as condições do paciente e determinar qual é a melhor opção para ele.