O congresso de urologia realizado em Chicago também apresentou novidades para o tratamento das doenças que afetam a próstata - glândula do aparelho reprodutor masculino que participa da produção do líquido seminal (que carregará os espermatozóides na ejaculação). No decorrer da vida, esta glândula pode apresentar três tipos de doença: prostatite, hiperplasia e câncer.
Segundo o urologista Estevam Lozano Cruz, a prostatite é uma inflamação da próstata, geralmente tratada com antibióticos. Alguns médicos, porém, costumam prescrever ansiolíticos (remédios contra a ansiedade), alegando que os sintomas da prostatite estão muito relacionados ao estresse.
“Trabalhos apresentados no congresso reforçaram esta tendência de se usar ansiolíticos e antibióticos juntos”, comenta o médico. Segundo ele, a próstata fica muito próxima ao esfíncter - um tipo de válvula que controla a retenção e saída da urina. Tanto a inflamação como o estresse podem pressionar esta válvula e causar retenção urinária, que é um dos sintomas mais comuns da patologia.
Outra novidade apresentada no congresso foi uma modificação no aparelho usado para a cirurgia de ressecção transuretal de próstata em casos de hiperplasia. Cruz explica que o aparelho convencional tinha apenas uma haste para a ressecção. Uma empresa aprimorou o equipamento colocando duas hastes.
O aparelho funciona com corrente elétrica, que esquenta os instrumentos. Com duas hastes, é possível acelerar o procedimento, de modo que a temperatura máxima seja de 70 graus. No método convencional, chegava-se a 400 graus. “A temperatura muito alta irrita os tecidos do organismo. O novo equipamento promete menos irritação, cicatrização melhor e recuperação mais rápida”, comenta o urologista.
Ele destaca, no entanto, que há casos em que o paciente não pode ser submetido à cirurgia, seja pela idade avançada, por alterações cardíacas ou debilidade imunológica. Estes pacientes precisam usar sondas para esvaziar a bexiga. Muitas vezes essas sondas são fixas, com uma extremidade que sai pelo pênis. A urina escorre constantemente, por isso é necessário carregar bolsas de retenção ligadas à sonda.
“O congresso traz novidades para estes pacientes também. Foi lançada uma nova sonda que fica dentro da uretra, não aparece. O cateter mantém o canal da bexiga aberto, só que continente, ou seja, o paciente controla a eliminação da urina. Este produto deve estar no Brasil em dois meses”, salienta.