Outro complicador da vida dos portadores de deficiência física é o transporte coletivo. A única linha adaptada para transportar cadeiras de rodas - a Bauru Especial - tem apenas três carros e não atende a moradores de todos os bairros.
O transporte é gratuito mediante carteirinha emitida pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Entre um carro e outro, há quase uma hora de intervalo.
As queixas são variadas. Primeiro, falta orientação. A sinalização indica que o cadeirante deve subir de ré, mas as alças de apoio estão voltadas para o lado oposto. “Se eu subir de ré, onde eu vou segurar? Eu tenho que subir de frente para segurar na alça”, explica o cadeirante Luiz Aparecido da Silva.
De acordo com os usuários, alguns cobradores não estão capacitados para operar o elevador e auxiliar os deficientes. “Isso acaba complicando nosso dia-a-dia. Já chegaram a ameaçar de me deixar no local porque o cobrador não sabia operar a rampa”, conta Silva.
Outro risco são os cintos de segurança quebrados. Silva afirma que um dos carros está rodando sem nenhum cinto. “Se não tiver freio na cadeira, ela pode virar dentro do ônibus”, explica.
O deficiente Paulo César Ferreira confirma e conta que já se machucou após uma freada brusca do veículo porque o cinto estava quebrado. “No começo, funcionava direitinho. Depois, houve um desgaste e não foi feita manutenção. Você tem que ir rezando. Não tem segurança nenhuma”, agrava.
Os passageiros afirmam, ainda, que há carros circulando como Bauru Especial sem adaptação para cadeiras de rodas e que o itinerário não é satisfatório. Os coletivos especiais não passam no Jardim Bela Vista, por exemplo. “Não atendem os bairros e dão mais atenção aos pontos estratégicos da cidade”, diz Fernandes.
Silva sugere que seja feita uma pesquisa com os portadores de deficiência para colher sugestões e, posteriormente, melhorar o serviço. “Eles colocam os carros nas ruas porque são obrigados”, critica.
O coordenador geral do Conselho dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, Francisco Takao Kajino, diz que os deficientes que usam muletas ou andadores têm mais facilidade para pegar um ônibus comum.
Para melhorar, ele acredita que seriam necessárias mais barras de apoio. “É impraticável os deficientes de cadeira de rodas pegarem um ônibus”, enfatiza.
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Vans
A expectativa é de que, a partir do dia 1 de julho, o transporte dos deficientes físicos seja mais satisfatório. É que nesta data devem começar a circular em Bauru vans especiais para portadores de deficiência.
São três veículos e motoristas que estão sendo oferecidos pela Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb). O serviço, gratuito, será gerenciado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
A utilização poderá ser feita mediante agendamento por telefone.
A Emdurb ainda não tem demais detalhes do serviço, que em breve devem ser divulgados.