Acupuntura, florais de Bach, essências, homeopatia, filoterapia. As chamadas terapias alternativas, que a cada dia ganham mais adeptos, também estão sendo utilizadas para tratar os animais do Zoológico Municipal de Bauru.
Segundo Maria Emília Bodini Santiago, que é veterinária do zoológico há 16 anos, os benefícios dessa “medicina não-tradicional” vão desde o maior bem-estar dos animais, até o custo para o zoológico. “É muito mais barato tratar assim do que comprar remédios. Acaba sobrando dinheiro para outras coisas”, conta. Mas ela diz que, mais importante do que os custos baixos são os animais, que não são prejudicados com medicamentos fortes, não sofrem efeitos colaterais e têm respondido positivamente aos tratamentos.
Maria Emília conta que é preciso conhecer bem cada animal para escolher o melhor tratamento e obter bons resultados. “O veterinário tem que trabalhar em conjunto com os tratadores para observar as reações de cada animal, antes e durante o tratamento. Se ele está comendo mais, se está andando diferente”, explica.
Muitos profissionais não utilizam esse tipo de terapia pelo tempo que o veterinário gasta observando e entendendo cada animal, na opinião de Maria Emília. “Mas no congresso (27º Congresso da Sociedade de Zoológicos do Brasil, realizado em Bauru na semana passada), a procura e o interesse dos estudantes pelo tema foi grande. Eu acho que é uma tendência as faculdades de veterinária começarem a ter aulas de acupuntura e homeopatia nos currículos”, opina a veterinária.
Tratamentos escolhidos
As espécies maiores, como os grandes felinos, dificilmente são tratadas com acupuntura pela veterinária Maria Emília, que evita aplicar sedativos nos animais. “A escolha do tratamento depende da índole do animal: se é calmo, ou se vai ficar agressivo com a nossa proximidade ou com as agulhas. Se a acupuntura não é possível, usamos florais ou homeopatia, na água ou na comida. Mas já fizemos acupuntura em um lobo que era mais calmo”, conta.
A acupuntura tem origem chinesa e utiliza agulhas para atingir certos pontos do corpo, buscando alterar ou equilibrar a energia. Entre os animais do zôo que já receberam tratamento com acupuntura estão papagaios e araras que arrancavam suas penas, e que depois das sessões não fizeram mais isso; cobras e iguanas que tiveram paralisia em alguma parte do corpo e recuperaram os movimentos; um carcará que tem problemas ósseos e está em tratamento, entre muitos outros.
A homeopatia - tratamento com doses de produtos específicos infinitamente diluídos - já foi usada em filhotes que ficaram raquíticos por terem sido criados longe das mães, problemas de infertilidade e dificuldades de reprodução de algumas espécies. “Começamos na semana passada um tratamento de homeopatia para controlar carrapatos, pulgas e vermes. Queremos diminuir o uso de inseticidas, que funcionam mas também prejudicam os animais”, afirma a veterinária.
Os florais de Bach já foram utilizados como calmantes nas aves, que se assustam facilmente com a proximidade de humanos, para diminuir o estresse.
Da fitoterapia - uso de vegetais quase em seu estado natural como medicamento -, os animais sempre recebem compressas com pasta de “confrei” para cicatrização de ferimentos.
“O mais importante de tudo isso é o benefício para o animal. Se um tratamento não está funcionando, também não vai causar efeitos ruins como uma dor de estômago, pois são substâncias naturais. Se não dá certo, a gente tenta outro tratamento”, explica Maria Emília.
Medicina alternativa?
“Eu acho pejorativo chamar de medicina alternativa, porque parece que você já foi atrás de tudo e essa é sua última opção, sua última alternativa. Aqui no zoológico, a medicina alternativa é a alopatia, são os antibióticos e antiinflamatórios, que a gente só usa em casos extremos”, diz a veterinária.
Com os tratamentos, os animais têm chegado a idades mais avançadas. Maria Emília conta que os florais têm aumentado o ânimo e o apetite desses “animais geriátricos”.
“Temos que entender cada animal como um todo, e não tratar cada órgão separadamente. Tratando o animal com atenção e prevenindo doenças, a gente dá condições de uma vida mais longa para eles, com mais vitalidade”, finaliza a veterinária.