08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Teatro de horrores


| Tempo de leitura: 2 min

Não tem segredo, é de domínio público, todos nós sabemos, a juventude brasileira é prisioneira de sombria realidade, a realidade das drogas, fome e prostituição; aqui mesmo, em qualquer cruzamento essa realidade se faz presente. Indiferentes a esse absurdo teatro de horrores, preferimos ficar de costas para o palco enquanto os atores vão se degradando a cada ato. Bertolt Brechet, dramaturgo alemão, costumava lamentar: “Pobre do povo que precisa de heróis.” Podemos parodiá-lo dizendo: “Pobre da nação que abandona suas crianças.”

Em qualquer cidade deste rico Brasil, criança é criança quando nasce em família rica ou de classe média, quando vai à escola, dorme em casa, tem refeições regulares, afeto, vai ao médico, ao dentista; mas, criança pode deixar de ser criança, pode ter outros nomes: trombadinha, flanelinha, putinha de programa, bezerrinha, prostituta infantil, menor carente, pivete, moleque, cheira-cola, menina de rua, etc., etc...! O futuro de uma é anel no dedo e diploma na parede o da outra, quando se dá bem é prisão (pode ser morta antes). Para amenizar a perplexidade diante desse mundo de pequenos anjos caídos, maltratados, desprezados, apelo às filosofias religiosas que, com o mesmo afinco que buscam salvar as almas dos homens, empreguem igual energia para fazer dessas crianças, cidadãs da Jerusalém Celestial, através da ação contínua, serena e firme e não de simples impulso emocional.

No meu entender, se houver amor, compreensão, realmente empenho confesional, em breve a Febem exaurirá seu papel; ou quem sabe se ela não está a nos mostrar que a diferença entre ver esta realidade brasileira com tristeza ou com sentimento de esperança é saber que o que nos mostram está acabando pela oportunidade do nosso esforço ou se consolidando como uma realidade duradoura pela nossa indiferença. Salvemos uma criança por vez, alma nascente e em formação, e o Senhor nos recompensará através dessa própria criança como cidadão temente, honrado e útil a toda sociedade humana. (José Carlos Dias da Silva - RG 2.252.100)