09 de julho de 2026
Bairros

Escolas abrirão aos finais de semana

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Todas as 47 escolas da rede estadual de ensino de Bauru terão que desenvolver, a partir de agosto, atividades culturais, esportivas e de lazer durante os finais de semana. Elas estão incluídas no Programa Escola da Família - Espaços de Paz, que foi lançado ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e abrangerá 645 municípios paulistas. A idéia é fazer com que os pais também participem do projeto.

O dirigente regional de Ensino de Bauru, Jair Sanches Vieira, esteve na cerimônia de lançamento, realizada em São Paulo. Ele estima que 50% das escolas da cidade já ofereçam algum tipo de atividade aos sábados e domingos e defende a iniciativa. “Uma pesquisa mostrou que o índice de violência entre os adolescentes de 12 a 18 anos é maior aos finais de semana. O objetivo é mudar esse quadro”, afirma.

O projeto prevê também a participação de estudantes universitários como monitores, que serão selecionados para coordenarem as atividades em troca de uma bolsa de auxílio. “Em Bauru, teremos parcerias com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP), além da Universidade do Sagrado Coração (USC), que já manifestou interesse em trabalhar com a gente”, diz Vieira.

A escola Silvério São João, na Vila Universitária, é uma das que ainda não abrem aos finais de semana. A vice-diretora, Vânia Aparecida Moreto, acha que o projeto pode trazer benefícios. “Eu acredito que haverá um entrosamento maior entre pais e escolas. É ótimo para promover uma integração entre as duas partes”, opina.

Ela conta que já existe um estudo para a utilização da quadra da escola. “Estamos implantando o esporte aos sábados pela manhã”, relata.

Pais

Entre os pais, a idéia de ver os filhos participando de atividades extracurriculares agrada. “É muito bom para eles ”, afirma Elizabeth Rodrigues, que tem dois filhos matriculados na escola Carlos Chagas, na Vila São Paulo.

Para Madalena Lina Barcelona, que tem dois filhos freqüentando a mesma escola, a presença dos pais também é importante. “Eu participaria. É uma iniciativa muito positiva”, afirma. Luzinere Bizarro concorda. “Tenho um filho e três sobrinhos estudando aqui. Será uma boa oportunidade para eles”, diz.

Cursinho

Algumas escolas de Bauru já se anteciparam ao programa lançado ontem e costumam utilizar os espaços aos finais de semana. Na escola Rodrigues de Abreu, um cursinho pré-vestibular está sendo oferecido aos sábados. “Temos 120 alunos do terceiro ano do ensino médio matriculados e eles não são apenas daqui, mas de outras escolas também”, afirma a diretora Silvana Romão da Silva de Godoy.

O trabalho é feito voluntariamente por professores da escola. “Somos todos idealistas e estamos oferecendo uma oportunidade para quem não tem condições de pagar um curso particular”, diz uma das voluntárias, Keiko Sato de Oliveira.

Um exemplo semelhante é encontrado na escola Morais Pacheco, no Jardim Bela Vista. “Nós não recebemos nenhuma remuneração”, conta o professor voluntário Adelson Alves da Silva.

Para ele, incentivar a utilização das escolas fora dos horários de aula é positivo. “Trazendo a comunidade para cá, ela vai dar mais valor ao patrimônio público”, diz.

A professora Mara Cristina Pereira é outro exemplo de trabalho voluntário. Uma vez por semana, ela ensina inglês para 30 crianças de 3.ª série da escola José Viranda, na Vila Giunta. Os alunos só teriam contato com o idioma a partir da 5.ª série, mas desde já aprendem cores e números em inglês, por exemplo.

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Parceria

Um projeto desenvolvido pelo Departamento de Computação da Unesp de Bauru, em parceria com a Diretoria Regional de Ensino, já trabalha nos moldes propostos pelo governo estadual.

Alunos dos cursos de ciências da computação e sistemas de informação ensinam informática aos sábados em quatro escolas da rede estadual. O projeto é atingir outros 11 estabelecimentos até o final do ano.

Um dos coordenadores do projeto, o professor João Pedro Albino, acredita que disponibilizar os recursos que as escolas possuem é fundamental. “É uma oportunidade para quem não pode utilizá-los durante a semana”, diz.

Ele diz que esta é, ainda, uma maneira de diminuir a violência. “Se os alunos sentirem que aquilo é importante, não vão destruí-lo”, afirma. Albino lembra que os universitários também saem ganhando. “Eles têm a chance de praticar o que aprenderam na teoria”, completa.