11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• GLP

Os sucessivos aumentos no preço do gás liqüefeito de petróleo (GLP) - conhecido como gás de cozinha - ocorridos ao logo do ano passado assustou os consumidores. Alguns têm tomado, até mesmo, medidas extremas, como a substituição por fogão a lenha. Em março do ano passado, a média de preços que vigorava nas revendedoras de gás de Bauru era R$ 25,00 (botijão de 13 quilos para uso residencial). Atualmente este valor gira em torno de R$ 31,00 (preço para entrega). A alta é de 24%.

• Repasses

O GLP está mais caro porque, no final do ano passado, a Petrobras repassou ao produto os aumentos que o petróleo (do qual o gás de cozinha é derivado) teve no mercado internacional. A estatal importa cerca de 30% do gás de cozinha utilizado no Brasil. Outro fator que teve grande peso nessa situação é que desde janeiro do ano passado o gás de cozinha não é mais subsidiado pelo governo federal - ou seja, não controla mais os preços do produto.

• Intervenção

Em julho do ano passado, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) interveio no mercado e determinou redução de 12,4% no valor do gás de cozinha residencial, o que fez com que o preço do botijão baixasse para R$ 23,00 em outubro. Mas desde então, nenhuma outra intervenção foi feita pelo governo. Na seqüência, a Petrobras repassou os fortes aumentos que o petróleo teve no segundo semestre e as altas do dólar. O resultado foi a retomada dos aumentos de preço do GLP.

• Consumo

Esse aumento de preços não assustou somente os consumidores, mas também foi sentido pelos proprietários de distribuidoras de gás - cerca de 70% do consumo é residencial. De acordo com dados do (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), no primeiro quadrimestre deste ano a demanda por GLP foi de 1,9 milhão de toneladas. No mesmo período do ano passado o número foi de 2,1 milhões de toneladas.

• Queda

Na opinião de analistas, a Petrobras tem condições de baixar os preços do GLP neste momento, já que a cotação do petróleo vem caindo no mercado internacional. No entanto, a estatal afirma haver espaço para a redução no preço do GLP fornecido para o setor industrial, mas não para o gás de cozinha para uso residencial. No mercado internacional, os preços do GLP residencial são equivalentes aos do mercado interno.

• Lucro

Já no caso do GLP fornecido para a indústria, o valor cobrado no mercado interno está acima do internacional. Mas é que um outro problema atinge este mercado. Segundo analistas, as margens de lucro praticadas por distribuidores e revendedores são altas. De acordo com dados do Sindigás, os impostos que incidem sobre o GLP correspondem a cerca de 25% do preço do produto. Por isso, a entidade vem solicitando uma redução desses impostos.

• Auxílio

Na outra ponta dessa balança está o auxílio-gás, que não teve aumento apesar das altas no preço do GLP. O benefício foi instituído pelo governo (FHC) no início do ano passado para famílias com renda per capita inferior a R$ 100,00. Neste governo o auxílio-gás foi mantido, mas os 9,2 milhões de famílias atualmente cadastradas continuam a receber R$ 15,00 a cada dois meses, o mesmo valor determinado no início de 2002.

• Solução

De acordo com informações da assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia já divulgadas à imprensa, desde abril deste ano a Petrobras, distribuidores, revendedores e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vêm se reunindo para tentar encontrar uma solução para a redução do preço do produto. Enquanto isso, os proprietários de distribuidoras e revendedoras de gás continuam reclamando das margens de lucro e o consumidor continua pagando caro.