08 de julho de 2026
Polícia

Presos do Cadeião já estão no CDP

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Começou ontem a transferência dos presos da Cadeia Pública de Bauru para o Centro de Detenção Provisória (CDP), localizado ao lado do Instituto Penal Agrícola (IPA), que foi inaugurado no último sábado. Vinte detentos já estão no CDP.

Os demais detentos da cadeia serão transferidos gradativamente antes do prazo estipulado pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), garante o diretor da cadeia, o delegado Roberval Fabbro.

De acordo com ele, todos os 170 presos da cadeia serão transferidos para o CDP no prazo de 15 dias estipulado do governador. “À medida que o CDP for abrindo as vagas, vamos transferindo os presos”, afirma. A remoção deve ser gradativa, mas sem divulgação prévia da data e horário para garantir a segurança no transporte.

Fabbro acredita que até a próxima semana todos os presos da cadeia já estejam no CDP. “Vamos cumprir o prazo. Os últimos a serem transferidos são os presos especiais, os temporários e os presos por não pagamento de pensão alimentícia”, conta.

Após esvaziar a cadeia de Bauru, na seqüência, serão transferidos para o CDP os presos de Avaí, explica o delegado. “Na cadeia de Avaí ficarão os presos em inclusão, os especiais e os pensões alimentícias. Os condenados vão para as penitenciárias e os temporários para o CDP”, frisa.

Os presos de alta periculosidade, segundo Fabbro, já estavam fora da cadeia. “Eles tinham sido transferidos para as penitenciárias de Bauru e Pirajuí, pois as condições daqui (da cadeia) não comportam este tipo de preso”, admite.

Fabbro confirma que a cadeia de Avaí não deverá ser desativada. “Eu acredito que ela funcionará como se fosse uma cadeia de inclusão, onde os presos passarão, serão cadastrados e só então serão encaminhados para o CDP”, afirma.

Os detentos estão sendo transferidos em um caminhão que comporta 20 pessoas sentadas. Da cabine, através de um monitor, o motorista tem visão dos transportados. Todos os movimentos são observados e qualquer anormalidade é comunicada às viaturas que fazem a escolta. As transferências estão sendo feitas com o apoio da Delegacia de Investigações Gerais e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra).

Em fase de adaptação, o CDP ainda não havia definido os dias de visitas dos presos. Ontem, a direção do presídio recebeu os primeiros 20 detentos que ficaram na inclusão até o final da tarde, quando foram removidos para as celas.

Segundo o diretor de disciplina do CDP, José Antônio, os pertences dos presos, com exceção dos produtos de higiene, ficaram guardados para futura entrega à família, uma vez que o sistema não permite a entrada de cobertores, roupas e outros pertences. Os presos passam a usar uniformes.

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Sem destino definido, cadeia será aberta à visitação pública

A Cadeia Pública de Bauru será desativada, mas ainda não está definido se o prédio será aproveitado para outra atividade da Secretaria de Segurança Pública ou será demolido.

O delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, explica que vai solicitar um laudo técnico de um engenheiro para saber as condições estruturais do prédio. Porém, antes, ele deve abrir a cadeia para visitação pública.

“A nossa idéia é abrir, por alguns dias, o Cadeião, um prédio de mais de 60 anos, à visitação pública. É uma forma da população saber como é uma prisão e até um trabalho educativo porque a pessoa saberá o que lhe espera se ela cometer um crime”, frisa.

Após a avaliação técnica, se houver condições estruturais, o prédio poderá ser aproveitado para abrigar as delegacias especializadas ou a delegacia participativa, segundo Ciocca. “Uma das possibilidades é reunir no prédio, após reforma, as delegacias especializadas (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes, Delegacia de Defesa da Mulher, entre outras)”, afirma.

Dessa maneira, de acordo com Ciocca, o Governo do Estado reduziria o valor gasto mensalmente com aluguel de prédios para as delegacias. “Mas para isso precisaríamos demolir e construir um segundo piso”, afirma.

Outra possibilidade é utilizar o prédio para a implantação da delegacia participativa, um novo sistema de plantão policial. Em sua visita a Bauru, na semana passada, o secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, manifestou a vontade de transformar a cadeia em delegacia participativa.

A população carcerária da Cadeia de Bauru ontem era de 170 presos. Número fixo, uma vez que desde a tarde de segunda-feira, a unidade não recebeu mais detentos. Todos os presos de Bauru, após esta data, passaram a ser encaminhados para a cadeia de Avaí.