Ontem, enquanto aguardava autorização para visitar meu irmão em um dos hospitais da cidade, acompanhei o drama de uma jovem que chorava copiosamente e, entre um soluço e outro, lastimava-se da vida; quis dizer-lhe alguma coisa que talvez a ajudasse a ultrapassar aquele momento. Entretanto, percebi em seu olhar uma resistência quase hostil. Era como se ela bradasse: - O que vocês tem com meu sofrer? Seria fácil lhe dizer: - Nada! Mas, enquanto houver um ser sofrendo, toda humanidade sofre solidariamente. A vida me ensinou alguma coisa que eu gostaria de transmitir a ela naquele momento, ela me ensinou que não nascemos para sofrer, que a dor e dificuldades que emolduram nossas vidas aí estão para nos ajudar a crescer através da luta do dia-a-dia, tornando-nos solidários e tolerantes. A vida me ensinou em sua fugacidade, que a realidade está além do horizonte de nossos olhos, que a essência de nós mesmos é a emoção que existe no âmago de nossos corações, é a soma de nossas atitudes para com os demais, que nada mais é que o reflexo das atitudes tomadas, bondade e clara percepção da singularidade de cada ser humano. Ela me ensinou que para sermos felizes apenas precisamos de uma mente clara, capaz de absorver o aprendizado que a vida nos oferece, não precisamos de posição social ou mais dinheiro, de um corpo ou parceiros perfeitos, enfim, não precisamos de nada além daquilo que já temos. Ensina também que a raiz de todo sofrimento está nas atitudes mentais e desejos negativos com que nos envolvemos, que vida e morte são uma só coisa a realizar-se em planos diferentes, é como as gotículas que formam os rios, mares e oceanos, não se distingue a primeira que caiu da próxima que virá. Diante do sofrimento não chore nem se lamente, reaja e siga em frente, acompanhando a correnteza do rio da vida.” Cordialmente. (José Carlos Dias da Silva - RG 2.252.100)