As festas organizadas pelas escolas são responsáveis por 50% a 60% das vendas de artigos juninos. A estimativa é dos próprios comerciantes do setor, que incluem nesta conta as mercadorias compradas pelas instituições de ensino e pelos pais de alunos.
O proprietário de uma loja de confecções, Manoel Lopes Panunto, afirma que cerca de 60% das roupas e chapéus juninos que ele vende nesta época do ano têm como destino as festas escolares. “São elas que movimentam o setor. Muita gente faz a compra em conjunto para ficar mais barato.”
Ele acredita que a procura por esses produtos será grande este ano. “O movimento já está 20% maior do que em 2002. De um modo geral, as vendas do comércio caíram bastante, mas em maio houve uma melhora”, diz.
A proprietária de uma loja especializada na venda de doces em geral, Solange Aparecida Francisco, conta que a participação das escolas é grande. “Muitas vêm até aqui, outras ligam para saber os preços. Também há pedidos de doações.”
Segundo ela, as festas juninas promovidas pelas instituições de ensino representam cerca de 50% das vendas. “Isso se considerarmos o que é comprado também pelos pais e parentes dos alunos.”
Francisco também está otimista quanto ao movimento. “A procura está começando agora, mas este ano deve ser melhor, porque o frio chegou antes. Quentão não combina com calor”, declara.
Para o gerente de compras de um supermercado da cidade, Marcos Renato Lourenção, as festas escolares são responsáveis por cerca de 50% a 60% do faturamento com os artigos juninos. “O número de consumidores em geral caiu muito. São as professoras quem continuam mantendo um calendário de eventos”, conta.
Ele espera um acréscimo de 20% nas vendas em relação ao ano passado. “Nossas compras já foram feitas e esperamos um movimento grande a partir do dia 10.”
O gerente substituto de outra rede supermercadista de Bauru, Valdecir Alves da Silva, diz que as escolas costumam negociar as compras. “Algumas ligam pedindo doações ou descontos.”
Ele afirma que o principal termômetro das vendas são as salsichas. “Isso acontece porque toda festa tem cachorro-quente. Por enquanto, a procura pelo produto está fraca, mas esperamos vender 10% a mais de artigos juninos do que em 2002”, calcula.
Investimento
A diretora de um colégio de Bauru, Irmã Maria Conceição da Costa, diz que a instituição deve investir R$ 5 mil para organizar a festa junina, que será no dia 7 de junho. “Nesse valor, estão incluídos a decoração, doces e os brinquedos que serão oferecidos nas barracas”, diz.
Segundo ela, a festa costuma reunir mais de 3 mil pessoas. “É um evento beneficente, que este ano irá priorizar as entidades que trabalham com os idosos.”
Já a diretora de uma escola de educação infantil, Adoniran Pagan, conta que a maioria dos itens é arrecadada entre os pais. “São eles que acabam movimentando o comércio, que sai lucrando. Nós costumamos comprar apenas uma parte, que inclui vinhos, salsichas e materiais para decoração”, afirma ela, que marcou a comemoração deste ano para o dia 14.
Para outra diretora de escola, Ana Virgínia Martins, as festas juninas envolvem toda a família. “As crianças saem arrecadando as coisas com os pais, avós e tios. Cada uma vai trazendo o que pode.”
Ela acha que os alunos mais novos são os que mais contribuem com o comércio. “Nessas turmas, é comum a realização de quadrilhas e as crianças compram roupas para estar vestidas a caráter”, opina.