09 de julho de 2026
Bairros

Mães reclamam de falta de professora

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Mães de alunos da 3ª série C da escola municipal Maria Chaparro Costa, no Parque Santa Edwirges, estão reclamando da falta de professores fixos. Segundo elas, desde o início do ano letivo a classe está sem professor fixo, o que comprometeria o estudo das crianças. A última professora da turma, Edilaine Cristina de Souza, foi afastada do cargo por decisão judicial.

“Cada semana tem um professor”, diz a auxiliar de cozinha Sueli de Souza Dias, mãe de um aluno. Segundo ela, a classe nunca teve um professor fixo. “Só tem substituto. A cada semana há uma troca e a criança não consegue acompanhar o raciocínio porque cada um tem um jeito de ensinar”, explica.

A mãe diz que chegou a pedir folga no trabalho para ficar com o filho em dias sem aula. “Eu trabalho fora e quando não tem aula, meu filho tem que ficar na casa da minha cunhada”, conta.

A última professora fez o concurso público baseada em liminar porque não havia concluído o curso de pedagogia, exigido no edital. Nesta semana, a prefeitura conseguiu cassar a liminar de Edilaine e outras três professoras na mesma situação.

Outra mãe descontente é Maria Helena Dias. Ela diz que a professora demitida é a quarta na lista da classe. “Só este ano, as crianças tiveram quatro professoras diferentes. O aprendizado fica comprometido”, reclama.

Maria Aparecida Costa, também mãe de um aluno, diz que está pensando em tentar transferir seu filho. “Estamos quase no meio do ano e eles não aprenderam muito porque a troca de professores é constante. Teve uma mãe que já tirou o filho dessa escola. Estou pensando em fazer o mesmo porque o ensino é de má qualidade”, afirma.

A mãe Marizete Araújo Alarcon deixou um emprego de sete anos para poder cuidar do filho. “Tenho um filho de 9 anos e trabalhava como doméstica. Eu ia trabalhar e logo depois ele ligava que não tinha aula. Ficava na rua. Eu tive que deixar o trabalho para cuidar dele”, relata.

Ela considera a situação preocupante. “As crianças estão ficando sem estudo. Algumas são dispensadas e ficam na rua porque os pais trabalham fora de casa”.

Substituição

A secretária municipal da Educação, Isabel Algodoal, disse ontem, através da assessoria de imprensa da prefeitura, que a professora exonerada será substituída o mais breve possível. Nesse período, as crianças não ficarão sem aula, garante. Os alunos serão distribuídos nas outras salas.

De acordo com a assessoria, a exoneração da docente tem que ser publicada no Diário Oficial para a que a próxima colocada no concurso seja chamada.

As mães reclamantes alegam que a professora Edilaine é uma das docentes aprovadas em concurso. “Ela foi exonerada porque ainda não completou o curso de pedagogia, mas as crianças gostavam muito dela e nós também”, diz.

De acordo com os pais, a escola só dispõe de um servente e não tem inspetor de alunos. “As 500 crianças saem para o pátio e têm que ficar sozinhas. A diretoria é que fica com eles”, conta.