Tem-se sumamente alvissareira a notícia de que começa a ser efetivamente lançado no mundo o primeiro tratado internacional antitabagista da história. Não se esperava que a convenção custasse para vir à tona para produzir logo os seus ansiados benefícios. Mas demorou a nascer naturalmente por perder-se nas encruzilhadas das carências de personalidade e responsabilidade dos homens, ainda que todos tivessem, desde o início dos tempos, plena consciência dos malefícios inerentes ao fumo. Ora, se o tabaco sempre fora inimigo figadal da longevidade dos povos por que não foi o documento instituído há mais tempo pelas autoridades em geral com o propósito de desacelerar a sua proliferação neste mundo de mortais e impedi-lo de alcançar nos nossos dias, com seus perniciosos tentáculos, inclusive os berços de crianças inocentes, às quais vitima com seus odores e suas fumaças malignas. É algo para se pensar e lastimar por não se conceber que, enquanto a Medicina sempre buscasse remédio para apagar rapidamente tantos tipos de enfermidades ainda não tenham os poderes públicos encontrado o caminho da debelação deste outro. Conseqüentemente, pode até acontecer que caso se consiga reunir em uma única toda a fumaraça dos cigarros, charutos e cachimbos que se acendam por aí se venha a cobrir toda a luz solar e, então, se tenha diante da gente um mundo sem sol e sem luar, tristemente. É lógico, então, que o tratado que ora é lançado nas nações, representadas por 192 congêneres, agora reunidas pela Organização das Nações Unidas em Genebra (Suiça), absorva de forma positiva os aplausos da intermacionalidade, que dele aguarda restrições severas e ininterrúptas contra a propaganda e a criação de políticas de impostos e preços que beneficiem o consumo do veneno, conforme prometido pela deliberação da ONU, justificando-se, portanto, esplendidamente, o testemunho da Organização, quando afirma “estar agindo para salvar bilhões de vidas e proteger a saúde das futuras gerações”. Disso resulta confiar a opinião pública em que a prática do documento nunca venha a sofrer solução de continuidade para que o fumo, que constitui droga mortífera idêntica às que são combatidas atualmente pelas polícias competentes, esteja realmente com os dias contados e submetido aos grilhões, como criminoso que indubitavelmente é, igual aos outros que vêm desafiando a continuidade das existências porque cada fumacinha que emite compromete os que lhe estejam próximos, sem que nenhum deles tenha condições de juntar os cacos de sua desdita e ganhar distância, absolutamente cônscios de que a saúde é o bem mais importante com que possam presentear a vida. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)