O valor da cesta básica em Bauru no mês de maio ultrapassou a barreira dos R$ 200,00, sendo cotada a R$ 202,64. O número representa um aumento de 7,3% em relação a abril e de 42,06% em comparação ao valor de maio do ano passado. Os dados são do Data-ITE, órgão de pesquisa ligado à Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE).
A alta na cesta básica de maio retoma uma tendência de seguidas altas que não eram registradas desde os últimos meses de 2002. Nos três primeiros meses deste ano, o valor dos itens havia regredido. Em abril, o aumento foi bastante leve: 0,29%. O valor de R$ 202,64 é o maior desde que o Data-ITE iniciou a pesquisa, em julho de 1999.
O recorde surpreendeu até mesmo o coordenador do órgão, economista Reinaldo César Cafeo. “O valor chama a atenção na medida em que a expectativa para o mês de maio era de uma acomodação dos valores em função da redução dos preços do atacado, via queda do dólar, observada no mês passado”, diz.
Outra característica do aumento de maio é que os três grupos que compõem a cesta básica - alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica - registraram altas acima de 7%.
O principal “vilão” da cesta neste mês foi o arroz. Isoladamente, o produto teve acréscimo de 38,2% nos supermercados da cidade. Sozinho, o arroz puxou para cima o valor da cesta em 3,2%. Em segundo lugar, o leite em pó foi o produto que mais influenciou a alta, com peso relativo de 0,8%.
De acordo com Cafeo, o resultado do mês só não foi ainda mais “grave” porque as carnes de primeira e de segunda tiveram quedas relativas de 0,7% e 0,5%, respectivamente.
Para o economista, foram três os principais fatores para alimentar a alta: a sazonalidade de alguns produtos, os estoques remanescentes ainda com preços altos e o “oportunismo”, que mantém os preços elevados se a demanda por determinados produtos não diminui.
Arroz
De acordo com o supermercadista Cláudio Moura, o principal culpado pelo aumento no custo da cesta básica foi o arroz, cuja safra sofreu grande quebra. Segundo ele, o produto teve aumento de cerca de 50% no último mês. “O arroz foi o vilão”, afirma.
Quanto aos demais itens, como os de higiene e de limpeza, Moura relata que alguns produtos chegaram até mesmo a registrar queda nos preços em decorrência da queda na cotação do dólar. “Não há argumento (para que a indústria aumente preços) com o dólar a R$ 3,00”, diz.
Para o supermercadista, o fato das altas persistirem pode se dever aos estoques. Com a ameaça de aumento no dólar e no preço do petróleo há alguns meses, as empresas fizeram grandes compras, que agora estão sendo repassadas aos clientes.
Segundo Moura, no enanto, o consumidor continua freqüentando normalmente as gôndolas. A diferença é que a maioria está migrando para similares mais baratos - principalmente nos itens de higiene e limpeza.