08 de julho de 2026
Cultura

Mercado da arte

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A valorização do trabalho artístico é um tema que permanece em constante discussão. Apesar de muitos reconhecerem o artista como profissional, a idéia de se caracterizar a produção artística apenas como um hobby ainda está presente em uma boa parte da sociedade. Dessa forma, torna-se difícil se pensar a arte como produto, agregando preço aos materiais confeccionados de forma manual.

Pensando nas dificuldades encontradas pelos artistas e visando estimular o crescimento da produção cultural na cidade, a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) em parceria com o Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae) está realizando o primeiro ciclo de workshops sobre associativismo e cooperativismo.

As atividades são direcionadas a artesãos, artistas plásticos, músicos, grupos de teatro, dança e produtores culturais. A primeira reunião foi realizada na última terça-feira, no auditório do Centro Cultural em Bauru e contou com a presença de cerca de 80 participantes, divididos em duas turmas.

Ministrado pelo consultor de empresas do Sebrae em São Paulo, Guilherme Santos e Campos, o workshop abordou a importância de se fortalecer o grupo formado por artistas.

O evento enfocou as diferenças existentes entre o funcionamento de associações e cooperativas através de dinâmicas e troca de experiências entre os integrantes. De acordo com Campos, o conceito de associativismo engloba um caráter filantrópico e não envolve diretamente fins econômicos. Já o cooperativismo está ligado ao lado empresarial e captação de recursos.

Ele conta que os workshops sobre produção artística já são realizados em São Paulo, mas a prática é novidade em Bauru. “O grupo estava bem receptivo às informações na estréia das atividades no interior”, diz Campos, enfatizando que a próxima reunião vai discutir o desenvolvimento de um planejamento participativo em grupo e está marcada para se realizar no próximo mês.

A falta de entidades formadas por artistas locais é um dos fatores apontados pela SMC e Sebrae para justificar a dificuldade de consolidação do trabalho artístico no mercado. Segundo o secretário municipal de cultura, Sérgio Losnak, Bauru conta atualmente com apenas três associações de artesanato e não existem cooperativas em funcionamento na cidade.

Losnak explica que o objetivo do ciclo de workshops é estimular a organização da produção artística em Bauru, impulsionando a comercialização de produtos artesanais, obras de arte, peças, espetáculos e shows musicais. “As associações e cooperativas estariam proporcionando à cidade um rol de profissionais”, aponta. “Além da oferta, as entidades culturais vão ter a assistência jurídica para o desenvolvimento do trabalho”, diz Losnak.

Preço

Losnak salienta que algumas pessoas acreditam que o trabalho artístico não tem valor comercial. Para o consultor do Sebrae, a dificuldade em se agregar valor ao produto artesanal está ligada à falta de reconhecimento da cultura local.

Na opinião da produtora cultural Kátia Sampaio, que participou do primeiro workshop realizado no Centro Cultural, o ponto alto do evento foi a discussão em torno da geração de recursos através da produção artística. “A arte não deve se concentrar apenas no ateliê. Acho que o artista está entendendo que não é pecado ganhar dinheiro com seu trabalho”, observa.

Trabalhando há oito anos na área de confecção de bonecas de pano, a artesã Aparecida Matias de Oliveira também esteve presente no workshop e revela que é difícil colocar preço em seus produtos. “Existe tanta coisa pronta por aí, os famosos enlatados, e quando nós oferecemos trabalhos artesanais é preciso que as pessoas pensem o valor artístico da mercadoria”, diz.

Oliveira, que participa das edições da Feira de Arte e Artesanato Ubá, conta que um grupo de artesãos da feira já está se organizando para organizar uma entidade cultural. Mara Rita Oriolo de Almeida , que é presidente do Núcleo Cultural Quilombo do Interior - uma associação que integra participantes do movimento hip hop -, enfatiza que apesar de o grupo já contar com organização, o evento é válido no sentido de estimular o gerenciamento da produção artística.

“Nosso objetivo é viabilizar propostas de captação de recursos junto para a realização de projetos culturais”, diz Almeida.