12 de junho de 2026
Auto Mercado

O que é um veículo esportivo?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Há cerca de 20 anos, os princípios que definiam um automóvel como esportivo ou não baseavam-se somente na diferença de “cavalaria” do motor. Por isso, aqueles mais potentes tornavam-se as máquinas mais desejadas e o principal objeto do desejo de quem apreciava tal estilo de veículo.

Entretanto, ao longo dessas duas décadas muita coisa mudou, principalmente o mercado automotivo, cujo volume de vendas e a produção de automóveis praticamente dobraram no mesmo período.

Assim como o desempenho comercial do setor, os gostos e tendências dos consumidores também sofreram mudanças e obrigaram as montadoras a adaptarem seus produtos para agradar aos mais variados segmentos e atividades sociais. Por essa razão, antigos conceitos tiveram de ser abandonados para ceder lugar a outros, mais modernos e atuais.

Exemplo disso ocorreu com os que regiam o universo dos carros esportivos. Se estes eram associados apenas a veículos com motores de alta cilindrada e potência, hoje tal definição alterou-se radicalmente.

Em vez da força dos propulsores, o que conta atualmente - e muito - é o visual. Por isso, as fábricas trataram de oferecer cada vez mais versões de automóveis com design diferenciado e apelo esportivo moldados pelos kits de personalização.

A GM, por exemplo, quando lançou o popular Celta, no segundo semestre de 2000, disponibilizava aos interessados um pacote com 23 acessórios, 11 deles de esportividade: rodas de alumínio aros 13 e 14 polegadas, spoiler dianteiro, saias traseira e laterais, aerofólio, adesivo da coluna das portas e da tampa de combustível, pedaleiras, lanternas traseiras fumê e ponteira de escape cromada.

O gerente de vendas da concessionária bauruense Amantini/Chevrolet, Fernando Vieira de Mello, concorda com a mudança na tendência do perfil dos esportivos. Para ele, o que define a inclusão de um automóvel nessa categoria são dois quesitos: visual e desempenho. Por isso, ele os enquadra em três tipos.

Os primeiros são os esportivos “tops” de linha, preferencialmente os importados. Outro são os nacionais mais acessíveis, como o Astra GSi e o Stilo Abarth. Por fim, destaca Fernando, há uma gama de veículos que recebem os kits de personalização. “Hoje é comum vermos veículos populares, até com motores 1.0, com visual esportivo graças aos vários acessórios oferecidos como opcionais”, ressalta ele.

Transformações

Outra prova de que a “cara” dos veículos ganhou força são as transformações, capazes de mudar um carro básico para um típico esportivo. Nessa hora, muitas vezes a potência de motor fica em segundo plano.

É o caso do agricultor bauruense Marcos Umetsu, 31 anos. Proprietário de um Gol 2002 Geração 3, ele conta que planeja alterar a cilindrada do motor atual, um 1.0, com a instalação de um turbocompressor para melhorar o desempenho na estrada. “Mas não quero nada exagerado, pois nunca fui de ficar ralando”, ressalta ele.

Entretanto, antes de pensar em turbiná-lo, Marcos já havia se preocupado em dar uma incrementeda no seu Gol, que já veio de série equipado com aerofólio, brake light e faróis dianteiros com máscara negra. Além disso, ele rebaixou a suspensão, colocou películas de proteção solar (insulfilmes), pintou retrovisores e maçanetas na cor do veículo e instalou rodas esportivas aro 16. “Me preocupei mais com os detalhes externos”, enfatiza.

Para completar, o “Golzinho” ainda possui um potente equipamento de som composto por CD player, módulo de potência e alto-falantes de 6 e 12 polegadas. “Creio que todas as pessoas mais novas gostam de deixar o veículo com um visual mais bacana”, destaca Marcos.

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Identidade própria

Outro “fanático” por transformações é o jovem bauruense Daniel Luiz dos Santos, 18 anos, dono de um Gol 1993 bastante modificado. Além das rodas esportivas iguais às do antigo “irmão” GTS, o carro conta com insulfilme, faróis de milha, spoilers laterais, escapamento com som diferenciado, suspensão rebaixada e uma potente aparelhagem sonora.

Mesmo com tudo isso, ele ainda não está satisfeito. Daniel pretende colocar um turbo no motor 1.8 e rebaixar mais o automóvel. “Andar em um veículo turbinado é outro papo”, considera ele. Para o adolescente, a explicação para tanto gosto pelas transformações é a vontade de ser diferente. “Moleque é fogo. Ninguém quer andar em um veículo comum e igual aos outros”, frisa ele.

Daniel enfatiza, ainda, que se tivesse dinheiro à vontade compraria seu carro dos sonhos. Ele o descreve. “Seria um Astra ou um Vectra com todos os acessórios que tenho no Gol com a adição de um turbocompressor, kit nitro e bancos de couro.