O Brasil possui, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 5.482.515 crianças trabalhando. Um número que se aproxima para efeito comparativo da população do Estado de Santa Catarina. A pesquisa, realizada com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), revela que 2,2 milhões de crianças tinham idade entre 5 e 14 anos, faixa etária em que o trabalho é proibido no Brasil. Esses números assustam, pois o ideal, segundo os organismos internacionais, é que nenhuma criança esteja trabalhando nessa faixa etária. Por definição, toda criança deveria estar estudando e se divertindo, mas a pressão sócio-cultural, aliada as imensas dificuldades financeiras, pelas quais as famílias brasileiras estão contidas, acabam jogando milhares de crianças para o mercado ilegal de trabalho.
Curioso é que, nos últimos oito anos, período da gestão de FHC, muitas propagandas foram veiculadas dando conta de que até 97% das crianças em idade escolar estavam matriculadas na rede pública de ensino. Obviamente, os números eram maquiados, bem como a propaganda era enganosa e com fins eleitoreiros, para sustentar a sede de marketing daquele governo.
Na gestão FHC, a bem da verdade, houve entretanto uma pequena redução no número de crianças trabalhando ilegalmente, antes de seu governo essas crianças eram 19, 6%, sendo que durante suas duas gestões esse número foi reduzido para 12,7%. É claro que o nível elevado de desemprego no País colaborou indiretamente para essa redução. É preciso que o nosso País retome o caminho do desenvolvimento sustentado, com a criação de milhões de postos de trabalho, e continue lutando para que nossas crianças tenham oportunidades de cursar pelo menos o ensino fundamental, possibilitando a diminuição progressiva do analfabetismo, bem como investindo na qualificação profissional de nossas futuras gerações de trabalhadores. Os programas de cunho social que estão aliados a freqüência escolar precisam ser incentivados, para que proporcionem as famílias mais carentes um ganho fundamental para a sua sobrevivência e mantenham milhões de crianças brincando e estudando longe das drogas, do trabalho escravo e sonhando com um futuro digno em solo brasileiro. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)