08 de julho de 2026
Regional

Festas têm origem popular e cristã

Da redação
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“As festas juninas hoje têm muito mais tradição cultural do que religiosa.” A afirmação é do bispo dom Luiz Antônio Guedes, da Diocese de Bauru.

De acordo com ele, as celebrações de Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo, que acontecem no decorrer do mês de junho, já fazem parte das raízes da cultura do País, assim como a hospitalidade, a alegria e o desejo de convivência do povo brasileiro.

“Cada um celebra as festas dos santos com o grau de consciência que possui em relação a sua fé”, diz o bispo.

A devoção aos santos faz parte da religiosidade popular e o bispo acredita que ainda é forte nas pessoas, especialmente com os santos de junho, que são muito conhecidos e tão importantes para a religião católica, afirma dom Luiz Antônio.

No Hemisfério Norte, o dia 21 de junho marca o início do verão. É o dia mais longo e a noite mais curta do ano, também chamado de solstício de verão.

Séculos antes do nascimento de Cristo, esse dia era comemorado por muitos povos, como celtas, bretões, bascos, sardenhos, egípcios, persas e sírios, com festas e rituais buscando a fertilidade do solo, bom plantio, boas colheitas e marcando a superação do inverno. Nas festas, eram acesas grandes fogueiras para espantar os maus espíritos das plantações.

O bispo dom Luiz Antônio conta que o costume das chamas também é explicado com uma história envolvendo Isabel, mãe de São João Batista, e Maria, mãe de Jesus. “Como as duas eram primas e estavam grávidas na mesma época, combinaram que na casa em que primeiro nascesse uma criança, uma fogueira bem grande deveria ser construída, para avisar do nascimento. As casas eram um pouco longe uma da outra”, conta.

Quando João Batista nasceu, seu pai Zacarias fez o combinado para avisar Maria e José de que Isabel havia dado à luz. Daí vem o costume de celebrar o dia de São João com as fogueiras.

No século 6, a Igreja Católica começou a homenagear São João Batista no dia de seu nascimento, 24 de junho, unificando as festas pagãs agrícolas com a celebração católica. “Muitas vezes, a Igreja adota os costumes e festas que nascem no meio do povo. Se a chegada do verão já era celebrada, porque não celebrar junto o dia de São João?”, explica dom Luiz Antônio.

Em Portugal, especialmente, as festas juninas tornaram-se mais populares com a celebração do dia de Santo Antônio de Lisboa, em 13 de junho, próxima aos festejos de São João.

A Igreja completou o ciclo das festas juninas por volta do século 13, com a comemoração do dia de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho.

“Com a vinda dos colonizadores portugueses para o Brasil, os costumes e as celebrações foram trazidas também, e a Páscoa, o Natal e as festas juninas passaram a ser comemoradas aqui”, conta.

Por coincidência, os índios brasileiros também celebravam a preparação do solo para o novo plantio na mesma época das festas juninas, quando é inverno no Brasil e período de seca em muitas regiões.

As festas juninas começaram a ganhar características locais, no processo de catequização dos índios, com as tradições locais misturadas aos costumes dos portugueses.

Em cada região do Brasil, portugueses, índios, negros e outros imigrantes participavam das celebrações das festas de Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo. As festas juninas incorporaram as tradições, cores, comidas e danças típicas de cada região, ganhando os contornos das festas atuais, mas sem que o povo perdesse sua devoção aos santos de junho.