09 de julho de 2026
Bairros

Arquitetura dos anos 50 marca Bauru

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Quais são os prédios em Bauru que refletem o auge da arquitetura moderna brasileira? O estilo é um dos responsáveis pela “cara” da cidade, que ganhou muitos exemplares desse período na década de 50.

O JC nos Bairros mostra hoje ao leitor os traços marcantes da arquitetura moderna em Bauru e apresenta seus autores.

Entre as obras desse período que se destacam na cidade estão a sede da Prefeitura Municipal e o Esporte Clube Noroeste de Bauru.

A tal “cara” dos prédios de Bauru difere das cidades da região e do Interior paulista porque a cidade não dependeu exclusivamente do café no início do século passado e, portanto, não teve tanto tradicionalismo.

De acordo com a arquiteta Artemis R. F. Ferraz, autora da dissertação “Marcas do moderno na arquitetura de Bauru”, o Município não tem muitos casarões da época do café porque se desenvolveu essencialmente pela ferrovia.

“Sempre foi uma cidade de passagem, sem muitos tradicionalismos e raízes, que quis mostrar essa coisa de desenvolvimento, de comércio”, diz.

Nesse período, o brasileiro Oscar Niemeyer e o franco-suísso Le Corbusier foram dos profissionais que mais influenciaram os arquitetos brasileiros com seus princípios de pilotis, planta-livre, formas orgânicas e grandes vãos, entre outros.

“Bauru reflete a disseminação da arquitetura moderna projetada por conceituados arquitetos de âmbito nacional”, explica Artemis.

Esses anos foram muito importantes para a arquitetura porque foi aí que a profissão foi regulamentada e reconhecida no Brasil. Até então, ela era vista como um braço da engenharia.

“Na década de 50, a arquitetura era feita para durar e para marcar uma época. Eles não se preocupavam tanto com quanto iria custar. A arquitetura de 50 tem uma cara”, avalia Artemis.

A arquiteta enfatiza a preocupação com a divulgação das informações a respeito do modernismo em Bauru e com a conservação dos exemplares locais.

“Eu acho que as pessoas não têm muita noção de quem fez e do que foi feito. A gente tem uma arquitetura de 50 anos atrás que precisa ser preservada porque é ela que reflete o auge da arquitetura no Brasil”, reforça.

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Histórico

A chegada da ferrovia a Bauru trouxe também estilo arquitetônico. Até o final dos anos 20, o perfil das construções da cidade foi marcado pelo ecletismo. Muitos dos edifícios dessa época foram reformulados nas décadas de 30 e 40 e passaram a refletir o espírito de modernidade da cidade.

Em 30 e 40, a arquitetura é marcada pelo estilo racionalista e pelo Art Déco, com soluções formais menos rebuscadas, linhas geométricas simplificadas e estilizadas e paredes lisas e sem ornamentos. Foi utilizado principalmente na prestação de serviço e no comércio.

Segundo Artemis, ainda trata-se de uma arquitetura decorativa de fachada, visando expressar estabilidade e progresso econômico. Foi a transição do eclético para o moderno numa cidade aberta a novidades.

“Bauru cresce nesse período dentro dessa nova linguagem, mostrando abertura para o novo, diferentemente das cidades formadas pelas profundas raízes de tradicionalismo da época do café”, conta Artemis.

No Centro da cidade, região marcada pelas edificações comerciais, ainda há muitos exemplares dessa fase.

No final da década de 40 e início dos anos 50 há uma súbita expansão econômica na esfera imobiliária e urbana. Foi um momento em que a construção civil tornou-se um dos grandes agentes do crescimento econômico e em que a arquitetura moderna ganhou impulso, deixando suas marcas na cidade.