08 de julho de 2026
Saúde

Queimaduras são acidentes mais comuns

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Tradicionalmente, a fogueira e os fogos de artifício não podem faltar numa festa junina. Mas bem diz o ditado que quem mexe com fogo pode se queimar, principalmente quando isso está associado a bebidas alcoólicas, aglomeração e crianças. Alguns acidentes podem mutilar ou mesmo matar suas vítimas.

O cirurgião plástico Valter Luiz Curvêllo, diretor da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) de Bauru, afirma que, felizmente, o número de acidentes com fogo tem diminuído nos últimos anos. “Acredito que as pessoas estão mais conscientes em razão das campanhas preventivas e das reportagens que vêm sendo veiculadas”, afirma.

Segundo ele, porém, os acidentes do mês de junho costumam ser muito graves. Além da queimadura, a explosão dos fogos de artifício pode mutilar uma pessoa. “Principalmente os rojões, que podem provocar perda de dedos ou mesmo da mão inteira”, salienta.

Vendedores de fogos de artifício comentam que sempre orientam os compradores sobre como usar os diferentes produtos. Paralelamente, os próprios fabricantes buscam alternativas para conferir maior segurança aos rojões. Hoje, existe uma peça de plástico que pode ser acoplada ao rojão para servir de base. A pessoa acende o pavio e se afasta do dispositivo.

Outra saída encontrada pelos fabricantes foi alterar o formato dos fogos de modo que eles possam ser encaixados uns aos outros. Desta forma, o rojão vai explodir a uma distância mais segura das mãos.

Apesar de haver problemas com os dispositivos, a maioria dos acidentes acontece por utilização inadequada. Segundo os vendedores, as pessoas seguram o rojão com a “boca” para baixo, acendem o pavio de maneira errada, não lêem as instruções do fabricante. Por tudo isso, além das mãos, olhos e pés também podem ser lesados.

“Além dos rojões, o hábito de pular a fogueira também causa acidentes”, salienta o médico. O agravante está na ingestão de bebidas alcoólicas. As pessoas tendem a se sentir “poderosas”, mas estão com seus reflexos totalmente alterados. Ao invés de pular, acabam caindo sobre a brasa.

Além das lesões aparentes, as queimaduras causam uma dor profunda e intensa, que não desaparece mesmo com o uso de medicamentos. A sensação que a pessoa tem é de que o corpo continua queimando.

A gravidade das queimaduras é classificada de acordo com a profundidade da lesão e com a extensão do corpo que foi atingida. A lesão é de primeiro grau quando atinge apenas a camada superficial da pele; de segundo grau quando lesa a camada mais profunda (bolhas são principal característica) e de terceiro grau quando afeta tecidos que estão debaixo da pele, como gordura, fáscia e músculos.

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Para nunca mais

O autônomo José Geraldo Gasparoto, 43 anos, já viveu o drama de um acidente com fogos de artifício. Ele conta que foi há cerca de cinco anos. Era Dia de Santo Antônio. Familiares e amigos estavam reunidos, quando alguém lhe pediu ajuda com os fogos.

“E nem era um rojão. Era um vulcão, daquele que solta ‘lágrimas’”, lembra. “Ele não pegava fogo de jeito nenhum. Aí, resolvi virá-lo para encostar em outra chama. Quando virei, o fundo dele estava rachado, a pólvora caiu na minha mão e acendeu. Sofri queimaduras de terceiro grau (as mais graves)”, afirma.

Gasparoto conta que a pele da mão retraiu na hora, fazendo com que seus dedos se encolhessem e uma bolha enorme tomou conta da palma de sua mão. “O médico deu remédios, orientou e me mandou para casa, mas eu não agüentava de dor e voltei ao hospital dois dias depois. Acabei sendo internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de queimados”, comenta.

Já no hospital, o cirurgião cortou a pele que formava a bolha e a mão do rapaz ficou na “carne viva”. “Demorei mais de duas semanas para conseguir segurar as coisas de novo e não havia remédio que tirasse aquela dor. Eu não dormia de tanta dor”, descreve.

Indagado se voltou a mexer com fogos, ela desabafa. “O pior é que eu nunca gostei de mexer com fogos de artifício. Nunca deixei entrar em minha casa. Mas naquele dia eles me chamaram e eu acabei indo ajudar. Para nunca mais”, encerra.

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Balões: velhas ameaças

A lei proíbe, as campanhas explicam, mas os balões continuam iluminando o céu nas noites juninas. Bonitos, sem dúvida, eles podem gerar verdadeiras catástrofes, segundo o Corpo de Bombeiros. Quem solta, nunca sabe onde o balão vai cair e o resultado pode ser um incêndio de enormes proporções.

A história mostra reservas florestais perdidas, casas incendiadas e pessoas feridas por causa destes “brinquedos”. Para agravar a situação, o inverno resseca as pastagens e torna a ameaça ainda maior.

Por isso, para festejar o mês de junho com segurança, a melhor opção é usar os balões apenas como enfeites, mas sem o fogo.