O tempo passa e a nossa pele, principalmente do rosto, colo e pescoço, é a primeira a denunciar os seus efeitos e colocar diante do espelho a prova de nosso envelhecimento. Lá estão as rugas, os pés de galinha e as linhas de expressão. Muitas vezes, nem é preciso passar tantos anos, quem não se cuidou, vê os sinais chegando bem mais cedo.
O envelhecimento da pele é o resultado da perda da elasticidade, da quantidade de água e da capa lípídica, uma camada gordurosa natural que mantém a hidratação da pele e funciona como uma barreira aos agentes nocivos: sol, vento, poluição, fungos, bactérias, segundo a dermatologista Eliana Molina Disarz.
Neste processo, a radiação solar (raios UVA e UVB) é a grande vilã, cujos danos são cumulativos. Não é o solzinho que se toma hoje, que amanhã se está mais velho. O processo é gradativo, o efeito vai se acumulando até a degeneração ao ponto de chegar a um câncer de pele. Assim, deve-se contabilizar também todo aquele sol que tomamos sem cuidado algum, muitas vezes, até com “misturinhas” caseiras de urucum, coca-cola, oléo, etc.
“A radiação penetra na camadinha mais superficial da pele e o bronzeamento é a primeira resposta que a gente tem. A pele do bumbum e da barriga é sempre branquinha, porque está sempre protegida. Os braços, a região do decote e o rosto são sempre mais pigmentados, com sardas, manchas brancas porque já sofrem os efeitos do sol.”
A médica revela que, quantos mais pigmentação (melanina) a pessoa tem, quanto mais escura foi a cor da sua pele, mais protegida ela está. Mas não isso significa que as pessoas negras não tenham que usar filtro solar. “Os negros têm mais auto-proteção que os brancos.”
A camada de cor que a pessoa tem aumenta conforme o estímulo solar, mas existem pessoas que antes de se bronzear ficam queimadas, mais precisamente se transformam em um “pimentão” ao sol do domingo ou sábado à tarde. De acordo com a dermatologista, esse vermelho pimentão vai acumulando no DNA das células, ou seja, a queimadura solar vai degenerando as células, tornando-as menos produtivas e deixando a pele sem firmeza (turgor).
Artificial
Eliana alerta que mesmo aquelas mulheres que não tomam banho de sol estão suscetíveis aos efeitos dos raios. Bastou uma parte exposta sem proteção para estar suscetível aos danos e o que é pior: uma pessoa que trabalha num escritório também está exposta à radiação (UVA) emitida pela luz do monitor dos computadores e das lâmpadas fluorescentes. Quem fica horas em frente à televisão também não escapa.
Filtro nela!
“É preciso filtro solar para tudo, pois hoje o conceito de filtro é diminuir as taxas de câncer de pele que estão aumentando cada vez mais e é um câncer que mata, que é o melanoma. E pessoas cada vez mais jovens estão tendo a doença”, adverte.
Diante desse quadro, a médica revela que o problema atinge o mundo e a indústria cosmética e farmacêutica sob orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) já tem preocupação em desenvolver produtos para os mais diferentes tipos de pele e com estabilidade maior, que durem mais que as duas horas anteriores. “Já existem produtos com oito horas de proteção”. Ela acrescenta que existem até produtos específicos para os carecas que precisam proteger o couro cabeludo.
O ideal é adotar o hábito desde bebê, usando filtros com bloqueadores solares para refletir a reação dos raios.
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O mito da cara amassada
Muita gente fica preocupada ao acordar e ficar com o rosto amassado, até com os vincos da fronha na face, ou então com uma verdadeira depressão entre os seios.
Com o fotoenvelhecimento, a elasticidade da pele não é a mesma. Por isso, muita gente acorda com braços, colo e rosto totalmente marcados. Mas a preocupação com uma marca definitiva pode ser esquecida.
A médica Eliana Disarz explica que é normal acordarmos com o rosto amassado. “Se você dorme com o rosto comprimindo o lado direito, a água dos tecidos, pela gravidade, vai acumular neste lado. Seu olho vai ficar mais inchado e quando você levanta e se olha no espelho o rosto está mais inchado e marcado, mas é a lei da gravidade. À medida em que você se coloca de pé, vai voltando ao normal. É assim que funciona!”
Dessa forma, dormir em determinada posição não dá ruga, mas os trabalhos com a musculatura realmente podem enrugar o rosto.
“Da mesma forma que se trabalham os músculos do corpo para fortalecê-los, ao trabalhar a musculatura da face, ela também se fortalece para o bem ou mal. A pessoa que fuma faz um exercício de bico e como o músculo desta região é redondo, vai marcar toda a região do lábio superior e haja coisa para reverter”, comenta.
A dermatologista aponta que, com a contração do músculo, a pele e a camada natural de gordura se adaptam aos vincos.“Ao redor dos olhos acontece a mesma coisa, quando você contrai como se forçasse a visão, marca o sentido radial. O que mais dá ruga ao redor dos olhos é olhar para o sol sem óculos.”
Eliana aponta que quem não sorriu muito vai sofrer com as rugas nos olhos e mais cedo. Ao sorrir contraímos toda a musculatura da bochecha para cima o que acaba refletindo e tonificando também a musculatura superior.
Ginástica
Para tentar retardar as rugas, a ginástica facial é um recurso que a medicina já adota. O trabalho é feito através do movimento contrário, relaxando a musculatura da boca e dos olhos. Através de massagens se tem resultados nos olhos e pescoço.
Os níveis de estresse também colaboram para enrugar a musculatura, principalmente a da testa. “Quando você contrai uma região, conseqüentemente ela pregueia. Tudo tem uma explicação. Não é que você não pode contrair, pode. Mas com o tempo, a pele perde a sustentação e vai ficar fortemente marcada.”
A médica aponta que a solução para os casos não cirúrgicos é a aplicação de substâncias de preenchimento, como a toxina botulínica do tipo A (Botox) para as rugas de expressão na testa e pés de galinha, além de colágeno, metacrilato, ácido hialurônico, indicados para a região dos lábios, vincos próximos ao nariz e boca e entre os olhos. Há também as opções de peelings químicos, cirúrgicos e com laser ou a combinação de vários procedimentos dependendo do caso.
Mas se tratando daqueles grandes vincos laterais que se formam com o sorriso, se prolongando do nariz ao queixo, Eliana explica que o sulco neste caso é resultado de uma queda da bochecha devido à flacidez da pele e da dificuldade que a musculatura da região tem em se manter firme, pois faz parte de um feixe de músculos diferente.
Para a prevenção, tratar da pele é fundamental e assim manter sua vitalidade e seu perfeito funcionamento.
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Todo dia ela faz tudo sempre igual
A partir dos 15 anos é sagrado começar um ritual de “salvação” da pele. A dermatologista Eliana Disarz conta que seu segredo é simples. Lava o rosto pela manhã com água e sabonete e passa filtro solar fator 15. Na hora do almoço, repete o procedimento e, à noite, depois de lavar o rosto novamente, aplica um creme com ácidos glicólico e retinóico. “Nada mais, isso basta. O segredo está no filtro e na rotina.”
Ela aponta que por mais que o mercado de cosméticos ofereça cremes, géis e loções que prometem firmar e rejuvenescer, a quantidade de elementos é pequena em relação aos prescritos pelo médico que vai avaliar o tipo de pele e as reações do produto na paciente. Mas para as adeptas dos potinhos, a constância na aplicação é fundamental.
Ela alerta que os ácidos glicólico e retinóico, seus derivados e as vitaminas (C e K) em maior proporção só devem ser utilizados sob orientação médica para estimular a produção de colágeno e devolver a fibra da pele.
Os medicamentos funcionam, mas exigem constância para fazer efeito. Em geral, em 15 dias já se percebe alguma diferença que é acentuada nos primeiros meses. Mas tudo isso, se tiver uso do filtro solar o dia inteiro. “Não adianta descamar e tratar à noite e não cuidar de dia, o sol vai estragar tudo de novo. “Tudo o que está exposto precisa de tratamento”, finaliza.