A ocupação de uma das salas de aula da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru completa hoje 40 dias. Os cerca de 50 alunos acampados reinvidicam a construção de um alojamento estudantil. Eles marcaram para hoje, às 17h30, um debate público na sala 1 do câmpus, que terá a presença dos seis representantes da universidade com direito a voto no Conselho Universitário do próximo dia 26.
O conselho é a instância máxima da instituição. Para que ele determine a criação do alojamento em Bauru, dois terços dos 67 membros precisam aprovar a proposta. “Queremos que os diretores daqui manifestem publicamente o compromisso com as nossas reivindicações e se comprometam a buscar o apoio de outros colegas”, afirma o estudante Gabriel Rodrigues da Cunha.
O presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), José Brás Barreto, que será um dos representantes de Bauru no conselho, defende a realização do debate público. “Somos sempre favoráveis a este tipo de evento. Além disso, já deixamos claro nosso apoio aos estudantes”, diz.
Para ele, as chances do Conselho Universitário aprovar a construção do alojamento são boas. “As congregações das três faculdades do câmpus de Bauru já se manifestaram positivamente. Outro fator importante é que apenas nós e o Centro de Estudos de Artes de São Paulo não possuem moradia”, afirma.
Barreto acredita, porém, que as obras só devem ser iniciadas em 2004. “Iniciaremos um movimento amplo para garantir que as verbas sejam incluídas no orçamento do próximo ano”, opina.
Permanência
Cunha afirma que os alunos permanecerão acampados até o final da construção. “Nossa idéia é ficar aqui até que o prédio esteja pronto”, garante.
Para o aluno, esta é a única maneira de garantir que a promessa seja realmente cumprida. “Também queremos ter um local para que os alunos que prestarão vestibular no meio do ano e não têm condições de pagar aluguel possam ficar provisoriamente”, explica.
O presidente do GAC diz que tentará fazer os estudantes mudarem de idéia. “Não é uma decisão oportuna e já ponderamos isso com eles. Além disso, são muitas aulas e poucas salas disponíveis. Só neste semestre, precisamos realocar dez disciplinas que estavam previstas para aquele local”, declara.
Segundo Cunha, seis alunos já se mudaram definitivamente para a sala 3 do câmpus. “São pessoas que deixaram suas casas antigas e trouxeram as coisas para cá. Os demais permanecem em esquema de rodízio”, conta.
Na sala, os colchões ocupam metade da área disponível. O restante é preenchido por estantes, mesas e cadeiras. Do lado de fora estão alguns bancos e até sofás.
O aluno afirma que o número de dias em que eles estão acampados ainda não é recorde, mas se aproxima disso. “As duas maiores ocupações tiveram a duração de aproximadamente 55 dias”, recorda.
A Unesp oferece atualmente duas bolsas de ajuda aos alunos mais carentes. Uma delas é a do Programa de Auxílio ao Estudante (PAE), que paga R$ 175,00. Em troca, o bolsista desenvolve um trabalho de iniciação científica, supervisionado por um professor. A outra é a bolsa para aluguel, que oferece R$ 100,00 para os gastos com moradia.
Segundo Barreto, cerca de 200 alunos são atendidos pelas duas bolas. Nem todas as pessoas que se candidatam, porém, conseguem o benefício.