10 de julho de 2026
Geral

PM garantirá reintegração de posse do Horto Florestal hoje

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

As 190 famílias de sem-terra que estão acampadas em uma área do Horto Florestal, na divisa entre Bauru e Pederneiras, terão que deixar o local até as 8h de hoje. O aviso foi dado pelo comandante operacional do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) de Bauru, major Pedro Batista Lamoso, que garantirá o cumprimento da liminar que determinou a reintegração de posse da fazenda ocupada.

Os sem-terra, que pertencem ao Grupo Terra Nostra e invadiram a área no final de abril, prometem que a saída será pacífica. “Estamos aqui para acatar a decisão. Nossa briga não é contra os policiais”, diz um dos coordenadores do acampamento, Klinger Bueno.

Segundo ele, o destino das famílias é incerto. “Ainda não sabemos para onde vamos”, declara.

Outro coordenador, Celso Costa, espera auxílio do governo. “Talvez o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), nos indique outra área. A esperança é a última que morre”, diz.

O juiz da 1.ª Vara Cível de Pederneiras, Gilmar Ferraz Garmes, concedeu a liminar há cerca de 15 dias, atendendo a uma solicitação do loteador Luiz Carlos Pagani, que se apresenta como proprietário da área ocupada. Desde então, o oficial de Justiça responsável pelo cumprimento da decisão vem se reunindo com a polícia e representantes dos acampados para negociar a desocupação do local.

Adiamento

Os sem-terra, que contam com o apoio da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, tentaram adiar ao máximo o prazo dado pela polícia. Eles queriam a intervenção do governo estadual na questão, sob a alegação de que as terras pertencem ao Estado e estão sendo utilizadas por grileiros.

Nesse período, o advogado da CUT fez inúmeros contatos com o Itesp e a Secretaria de Justiça, sem obter sucesso. Ele chegou a conversar com Garmes, mas foi informado pelo juiz de que a liminar deveria ser cumprida para, depois, ser contestada na Justiça.

Segundo Bueno, deixar a área do Horto Florestal não significa o fim da luta pela reforma agrária. “Todas as famílias que estão aqui são guerreiras. Estamos envolvidos com essa questão há muito tempo e iremos continuar”, afirma.

Segundo ele, a situação dos acampados é totalmente precária. “Nosso maior problema é a falta de leite para as crianças. Eu posso até deixar de comer, mas elas não podem ficar sem mamar”, diz.

Um córrego que passa dentro da fazenda e poços improvisados servem como fonte de água.

Os sem-terra escolheram a fazenda para montar o acampamento com o objetivo de forçar o governo a promover novos assentamentos no Interior do Estado. As terras pertenceriam à Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), que cedeu o direito de exploração a duas empresas. Pagani diz, no entanto, que o setor ocupado foi comprado por ele de terceiros.

A liminar que deve ser cumprida hoje foi a segunda que o loteador obteve. Antes, a juíza da 1.ª Vara Cível de Bauru, Ana Carla Crescione, já havia determinado a reintegração. Um dia depois, porém, ela suspendeu a decisão ao ser informada pelo oficial de Justiça de que a fazenda já faria parte do município de Pederneiras, cabendo ao Fórum daquela cidade julgar a questão.