09 de julho de 2026
Política

Estado libera R$ 600 mil para AHB

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Joseph Saab, e o diretor da Divisão Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani Jr., assinam hoje termo aditivo com a Secretaria de Estado da Saúde que permitirá o repasse à instituição de uma verba de R$ 600 mil. A informação é do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). A AHB é responsável pela administração dos Hospitais de Base (HB), Manoel de Abreu e Maternidade Santa Izabel.

Segundo Saab, a verba - que deverá ser liberada nos próximos 30 dias -, será destinada ao custeio dos três hospitais gerenciados pela mantenedora. O presidente da AHB explica que o dinheiro será aplicado, dentre outras necessidades, na aquisição de medicamentos utilizados no dia-a-dia de suas unidades.

“A verba chegou numa boa hora porque vai permitir um alívio no nosso caixa”, diz Saab. Os hospitais da AHB reservam 95% de seus 480 leitos - portanto, 456 vagas - ao atendimento dos pacientes oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Responsáveis pelo atendimento da demanda médica e hospitalar de 39 municípios subordinados à DIR-10/Bauru, a AHB realiza cerca de 1.500 cirurgias por mês. “Uma associação hospitalar com essa dimensão regional tem que receber ajuda do governo do Estado, pois dificilmente consegue sobreviver só com a arrecadação do SUS”, justifica Saab.

Ele lembra que desde 1994, há nove anos, o Ministério da Saúde não reajusta o valor da diária de internação via SUS. “Nossos hospitais e mais os de todo o País recebem hoje uma diária de R$ 4,83 por paciente internado. Esse valor é para pagar o café da manhã, o almoço, o jantar e outras refeições no decorrer do dia. É muito pouco”, diz.

Segundo cálculos do presidente da AHB, nesse mesmo período, ou seja, nos últimos nove anos, os remédios de uso rotineiro no ambiente hospitalar tiveram um reajuste médio de 160%. “É uma diferença exorbitante.”

Pelas contas de Saab e da Confederação Brasileira de Hospitais, o valor da diária do SUS deveria saltar dos atuais R$ 4,83 para R$ 27,00, um reajuste de 462,5%. “Esse seria o valor justo para evitar déficit na relação receita/despesa”, afirma.

Ainda de acordo com o presidente da Associação Hospitalar de Bauru, a atual situação impõe um déficit mensal à entidade entre R$ 200 mil a R$ 300 mil. “Chegamos ao final do ano com o caixa no vermelho em mais de R$ 3 milhões.”

As dificuldades financeiras refletem nas reivindicações dos 1.400 funcionários da AHB, cuja folha de pagamento mensal é de R$ 1,1 milhão. A categoria, através do Sindicato dos Empregados nos Estabelecimentos de Saúde de Bauru e Região, está reivindicando 37,25% de reajuste salarial.

A direção da entidade, no entanto, oferece 2% de reajuste e mais 2% nos valores aplicados no biênio. Sem acordo, os funcionários aprovaram o início de um movimento grevista que deverá começar a partir de segunda-feira.