A personagem Heloísa, da novela Mulheres Apaixonadas, está se tornando odiosa, por seu excessivo ciúme, seu exagerado amor pelo marido, que o sufoca e o impede de viver tranqüilamente, ao lado da mulher, como gostaria. Assim, ao invés de conseguir o que mais almeja, que é o amor sincero e exclusivo do marido, ela está se tornando indesejável para ele e até mesmo incômoda e desagradável.
Isso comprova a assertiva constante da minha santa mãezinha que, em vida, proclamava a cada passo “tudo que é demais não presta”. E não é só em amor; da mesma forma encontramos isso mesmo, nos fanatismos todos: religiosos, que levam pessoas a sacrifícios inúteis e que não têm nada a ver com Deus; nos esportes, que fazem as pessoas se ferirem, se matarem e morrerem enfartadas por causa do seu clube. E agora, em Bauru, estamos vendo que, em política, estão surgindo “heloísas” que só vêem coisas erradas, corrupções e exageros de posturas, querendo ser mais realistas que o rei, insistindo em tornar errado aquilo tudo que foi feito certo, estritamente dentro da Lei.
Até parece a Heloísa “enxergando” com os olhos da sua imaginação doentia, o marido beijando, abraçando e até levando para um quarto de motel, uma jovem a quem ele simplesmente deu uma “carona”, a pedido da mesma, que ia para o mesmo lado que ele, sem nenhuma outra intenção, que só existia na cabeça da Heloísa.
Da mesma forma que é verdadeiro esse axioma lapidar, “tudo que é demais não presta”, existe este outro igualmente valioso, legítimo e um bom conselheiro para aqueles que devam opinar sobre coisas importantes: “nada supera o bom senso”.
Não se deixem influenciar por paixões políticas, porque elas não são sensatas e são péssimas conselheiras; toda paixão e mormente, no caso, a paixão política, é nociva em se tratando de julgar, de avaliar. Como no caso da Heloísa, isso pode afastar quem estão querendo atrair, ao invés de conquistar pela demonstração de sensatez, que gera confiança e, em política, confiança é essencial. (Isolina Bresolin Vianna - RG 3.027.947)