09 de julho de 2026
Articulistas

A responsabilidade ambiental das empresas


| Tempo de leitura: 3 min

O náilon, o polipropileno e outras fibras e tecidos feitos com derivados de petróleo levam séculos para se extinguirem, gerando um dos maiores problemas para a qualidade do meio ambiente. Por isso, as empresas não podem mais lançar ou manter um produto no mercado considerando apenas os custos econômicos: em nome da sobrevivência do planeta e da raça humana devem ser igualmente considerados os custos sociais e ambientais, desde o começo até o fim da vida útil do mesmo.

Para definir o conjunto de regras e questões que envolvem o presente e o futuro de um produto e sua relação com o meio ambiente, os norte-americanos criaram um neologismo, praticamente um palavrão: sustainability. Ou sustentabilidade, em português. Hoje, ao lançar ou ao manter um produto em linha, é preciso pensar em quanto tempo ele será útil e, principalmente, no que irá acontecer com ele quando não mais for útil. Para isso, não basta levar em conta apenas os custos econômicos e os lucros eventuais.

E tudo começa com três simples perguntas: Como esta coisa veio a existir? Quanto tempo isto será útil? O que irá acontecer com isto quando não for mais útil?

Ao considerar estas três questões, pense sobre elas em termos de três custos: econômicos, sociais e ambientais. Quando você se pergunta: “Como esta coisa veio a existir”, o que você está realmente se perguntando é quais foram os custos sociais e ambientais, além dos econômicos, para fazer este produto virar realidade. Um produto não é “sustentável” só porque é reciclável, pois quando você pensa sobre o contexto das três questões e dos três custos, começa a ver que reciclagem é apenas uma pequena parte do todo. Sustentabilidade é o custo real ou verdadeiro, aí incluídos os três custos.

Então, se deseja fazer a mais responsável escolha de produto para um escritório, por exemplo, você realmente tem que considerar por inteiro os custos atribuídos ao produto desde o começo até o fim da sua vida útil. Ou seja: sustentabilidade significa fazer escolhas pensadas, tendo o conhecimento para agir de um jeito que não arrisque o futuro de nosso planeta e seus habitantes. O que nos leva a uma pequena e simples definição: sustentabilidade significa viver, trabalhar e fazer negócios de um jeito que garanta um futuro onde a vida seja possível. Significa pensar na herança que estamos deixando para os filhos dos filhos dos nossos filhos.

Podemos falar disso com tranqüilidade, pois nossa empresa também não é sustentável, apesar de nossas atitudes ecológicas estarem sendo reconhecidas por diversas empresas e instituições, como o jornal inglês Financial Times que, por dois anos consecutivos, nos colocou entre as 20 empresas do mundo que melhor administram recursos naturais, na honrosa companhia do Greenpeace e da Patagonia.

Atingir a sustentabilidade é como subir uma montanha mais alta que o Everest. Mas já começamos a escalada, pois o que está em jogo é que tipo de planeta estaremos deixando para as futuras gerações. (O autor, Luís J. Ayllón, é vice-presidente para a América Latina da Interface Flooring Systems - luis.ayllon@us.interfaceinc.com)