09 de julho de 2026
Regional

Parceria impulsiona o Pólo Cuesta

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - A diretoria do Pólo Cuesta e o curso de turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) firmaram recentemente uma parceria com o objetivo de traçar um plano diretor para o desenvolvimento de um roteiro turístico sustentável na região.

Criado em 2001, o Polo Cuesta é um consórcio intermunicipal formado por dez cidades: Botucatu, Anhembi, Areiópolis, Bofete, Conchas, Itatinga, Paranapanema, Pardinho, Pratânia e São Manuel.

Segundo o diretor de planejamento do pólo, Walter Vitti Júnior, a parceria com a universidade impulsionará o fortalecimento das ações do grupo, com a disponibilização de mão-de-obra técnica e especializada em turismo. “A idéia é de que a USP nos dê esse apoio do ponto de vista técnico. Nós vamos conseguir da universidade esse trabalho de planejamento, desde a questão do inventário, de levantamento dos atrativos, até a formatação de produtos turísticos”, explica.

A parceria foi firmada em reunião realizada no último dia 13 e contou com a participação do professor de Turismo da USP Hildemar Silva Brasil. Segundo Vitti, dentro de duas semanas a iniciativa será oficializada em São Paulo no câmpus da universidade.

O projeto contará com recursos humanos, técnicos e teóricos disponibilizados pela USP. Em contrapartida, os municípios serão responsáveis pela infra-estrutura necessária para atender aos participantes, como hospedagem, transporte e alimentação.

Somado a disso, segundo Vitti, o Pólo Cuesta possui recursos próprios, adquiridos através de uma verba mensal dos municípios integrantes, que devem ser aplicados no desenvolvimento do plano diretor. A USP também tentará angariar verbas junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Nós estamos buscando subsídios para o desenvolvimento desse plano”, afirma a secretária de Turismo de Botucatu, Lúcia Pedutti.

Além dos alunos da universidade, o plano diretor deve contar com o apoio de estudantes de faculdades de Botucatu e São Manuel, que possuem curso de turismo.

Na primeira fase da parceria, será feito um inventário que irá detalhar todos os atrativos e infra-estrutura turística existente nas cidades, como hotéis, restaurantes e sistema de transporte. O segundo momento do projeto é traçar um diagnóstico da região. “Veremos qual é a situação do ponto de vista turístico e quais os potenciais dos municípios”, explica o diretor do pólo.

O passo seguinte, de acordo com ele, é estabelecer as diretrizes e os planos de ação. Vitti explica que o projeto será desenvolvido de forma gradual. “É um processo lento. A gente tem uma previsão inicial de que em dois anos os planos estejam definidos, talvez ainda não implantados, mas definidos.”

A reportagem não conseguiu entrar em contato com o professor de Turismo da USP Hildemar Silva Brasil para comentar a parceria.

Potencial

De acordo com Vitti, as cidades da região abrangidas pelo Pólo Cuesta possuem grande potencial em vários segmentos turísticos, os quais ainda não foram explorados. “Nós temos perfil para o ecoturismo e o turismo rural, por exemplo.”

O diretor afirma que atualmente apenas algumas cidades desenvolvem iniciativas pontuais no setor, como Botucatu, Pardinho e Bofete. A grande exceção é o município de Paranapanema, que é reconhecido como estância turística.

No caso de Botucatu, segundo a secretária Lúcia Pedutti, a cidade já possuía um vínculo com a USP, a qual em 2001 começou a desenvolver um plano diretor específico para o município. “Nós já éramos parceiros deles e apresentamos a possibilidade deles fazerem o plano para a região”, comenta.

Na opinião da secretária, agindo de forma integrada as cidades poderão aumentar sua capacidade de investimento no setor, além de oferecer diversidade de atrativos aos visitantes. “O objetivo é criar roteiros e ‘prender’ os turistas por mais tempo na região.” Conseqüentemente, avalia ela, a expectativa de geração de emprego e renda também será ampliada.

De acordo com Pedutti, não é possível viabilizar um plano turístico amplo para apenas um município. “Você não consegue trabalhar o desenvolvimento sustentável se não estiver abrangendo pelo menos a microrregião”, afirma.

A secretária explica que a diversidade de pontos turísticos distribui os visitantes e contribui inclusive para a diminuição dos impactos ambientais. “Você divide receitas entre os municípios e previne o impacto. Então só traz benefícios”, conclui.

O diretor do Pólo Cuesta afirma que o desenvolvimento de circuitos regionais de turismo é uma tendência do setor não só no Estado de São Paulo, como em todo o Brasil. “O próprio Ministério do Turismo tem incentivado esse tipo de consórcio e união”, afirma.

Cuesta

A Cuesta é uma forma de relevo geomorfológica que abrange vários municípios da região. A paisagem é conhecida como o “Gigante Adormecido” porque as formações rochosas formam um paredão de 80 quilômetros, que lembram o perfil de uma pessoa deitada. “No Estado de São Paulo todo, o único lugar onde existe esse tipo de formação é na nossa região”, afirma o diretor de planejamento do pólo, Walter Vitti Júnior.

Dona de uma paisagem peculiar, a Cuesta também é um importante divisor de águas, com várias nascentes que correm tanto para o rio Tietê quanto para o rio Paranapanema. Estas nascentes e seus respectivos córregos e rios, associados à escarpa da Cuesta, são responsáveis por um grande número de cachoeiras, tornando-se um atrativo para a desenvolvimento do ecoturismo.