10 de julho de 2026
Política

Contabilistas defendem fim da crise

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

As entidades que representam os serviços contábeis em Bauru e região se posicionaram, ontem, contra nova troca no Poder Executivo Municipal. Os contabilistas ressaltam que têm restrições ao programa do governo Nilson Costa (PTB) mas, ao mesmo tempo, entendem que a cassação de mandato agravaria o processo de estagnação da cidade.

A posição foi dada pelo presidente do Sindicato dos Contabilistas, Jair Vella, pelo diretor da Junta Comercial de Bauru, Cris Moreno, pelo diretor regional do Sindicato das Empresas em Serviços Contábeis do Estado (Sescon), Odair Domiciano Silva, e pelo representante da Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Bauru, Paulo Martinello.

Segundo as entidades, a preocupação também é pela manutenção da governabilidade, a exemplo de posição adotada por grupos como os empresários do setor industrial, do comércio e representantes dos lojistas do Calçadão. De outro lado, movimentos populares e sindicatos ligados aos trabalhadores e filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) defendem a instalação de processo visando a cassação de Nilson Costa.

Os contabilistas temem pela extensão da crise institucional. “Todos os setores já passam por dificuldades no País e com o segmento de serviços não é diferente. Em nossa cidade os problemas são ainda maiores em função do agravamento da estagnação que tem como um dos fatores a crise institucional”, citam.

As entidades entendem que é preciso que o Legislativo e o Executivo estabeleçam uma trégua em defesa da cidade. “Quem deve desempenhar o papel de julgar atos irregulares é o Judiciário. A Câmara deve desempenhar o seu papel, mas não pode realizar uma oposição sistemática porque os prejuízos são para a cidade”, declaram em conjunto.

Os sindicatos do setor defendem a continuidade do governo nesta fase de transição política, até as eleições de 2004. “As dificuldades enfrentadas em Bauru no campo político não se iniciaram neste momento, vêm desde 1998 e até hoje sofremos o reflexo dessa crise que precisa ter fim sob pena da cidade enfrentar conseqüências ainda piores com a produção, a renda, os serviços e o emprego”, citam.

Para os contabilistas, a cidade está ficando à margem do processo. “A crise política não contamina só a credibilidade institucional, mas gera efeitos negativos sobre a riqueza dos setores produtivos e isso influi na vida das pessoas. Se houve ou não erro nesse processo de compra de carne, não compete a nós julgarmos. Nosso compromisso é com a cidade, com o investimento, a geração de emprego e renda”, opinam.

Para eles, a queda de Nilson acentuaria os problemas. “Isso agravaria os problemas. Não vemos perspectiva para a cidade nesse processo. Pensem na cidade, que está parada. A Câmara e o Executivo deveriam neste momento pensar seriamente nos efeitos do prolongamento dessa crise que só interessa para quem não tem compromisso com a cidade. Os vereadores estão diante desse momento crucial de estender ou não a crise”, complementam.

Os contabilistas recordam que sempre colaboraram com a gestão pública. “Temos emprestado nossos serviços realizando auditorias no DAE, Cohab, Emdurb, Prefeitura e na Câmara nos últimos anos e todos os processos foram realizados sem a exploração política, com a seriedade necessária e o encaminhamento para os órgãos competentes, como o Ministério Público. Não apoiamos a pessoa do prefeito, mas a governabilidade neste instante”, definem.