Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), com base no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, apontou que Bauru tinha, há três anos, 5,2% de analfabetos entre a população com mais de 14 anos. Esse índice está abaixo das médias estadual (6,6%) e nacional (13,6%).
Em números, a cidade tem cerca de 13 mil pessoas que não sabem ler ou escrever. No Brasil, são 13 milhões. Se forem considerados os analfabetos funcionais, ou seja, as pessoas com menos de quatro anos de estudo, o índice do município sobe para 15,2%, mas também é inferior à média estadual, que é de 22,2%.
Para o dirigente regional de Ensino de Bauru, Jair Sanches Vieira, os números da cidade podem ser considerados bons. “Esses dados provam que a escola pública do Interior do Estado ainda faz com que o aluno sinta motivação e tire proveito do que é oferecido”, opina.
A diretora do Departamento de Unidades Escolares da Secretaria Municipal de Educação, Marilene Franco de Souza, acredita que o índice ainda pode ser diminuído. “Isso é possível se houver uma conscientização das pessoas”, diz.
A comparação dentro do Estado, que coloca Bauru em 21.º lugar entre as cidades com os melhores índices, mostra que o município tem menos analfabetos que Franca (5,6%), Botucatu (5,6%) e Marília (6,6%).
Por outro lado, o índice ainda é bem superior ao de Águas de São Pedro, líder do ranking, com apenas 2,9% de iletrados com mais de 14 anos. Outras localidades com bom desempenho são Santos (3,6%), São Caetano do Sul (3,0%), Americana (4,4%) e Ribeirão Preto (4,4%). A Capital tem 4,9% de pessoas que não sabem ler ou escrever.
Adultos
O levantamento revela também que a maior concentração de analfabetos de Bauru está na faixa etária de 60 anos ou mais, que representam 18,5% do total de iletrados. Em seguida, aparecem os que têm de 45 a 59 anos, com 6,7%.
Para tentar mudar esse quadro, o Centro Educacional de Jovens e Adultos (Ceja), mantido pela Prefeitura Municipal, oferece 55 salas de aula de 1.ª a 4.ª série. “Temos encontrado dificuldades para montar as turmas. Só nesse semestre, fechamos cinco classes”, conta Souza. Mesmo assim, 1.300 alunos estão matriculados. Os cursos, que são semestrais, funcionam em escolas, creches, centros comunitários e até empresas.
Uma dessas salas fica na escola Professora Lourdes de Oliveira Colnaghi, no Núcleo José Regino (Bauru 25). É lá que Maria Aparecida Rufino Leitão, de 74 anos, está começando a ser alfabetizada. “Primeiro, eu dei estudo para os meus filhos, que já se formaram. Agora, chegou a minha vez”, conta.
É um caso semelhante ao de Aparecida Siqueira Bicaleto, 75 anos. “Tenho seis filhos, todos com estudo. Me deu vontade de ver se aprendo alguma coisa. Sem saber ler, a gente se atrapalha”, declara.
Para Claudemilson José, que parou de estudar na 4ª série quando tinha 12 anos, voltar à sala de aula significa um passo importante para encarar o mercado de trabalho. “Na área de emprego, a gente passa humilhação. Se eu pudesse voltar atrás, não teria abandonado a escola”, revela ele, que hoje tem 28 anos.
Encarar o mundo moderno é a preocupação de Doralice Fernandes de Almeida, que cursou até a 2ª série e agora está de volta aos bancos escolares. “Hoje, é tudo na base da tecnologia. Quem não sabe ler, não pode nem se mover, pois não consegue pegar o ônibus. Vou estudar até onde conseguir”, opina.
Aos 57 anos, Benedita Barbosa Kanashiro tenta terminar a 3ª série, que interrompeu há muitos anos. “O estudo é o que há de mais importante”, diz.