10 de julho de 2026
Bairros

Loteadores usam critérios pessoais para dar sugestões

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Na hora de sugerir nomes de ruas para aprovação pela Câmara Municipal, os loteadores geralmente adotam critérios pessoais.

Responsável pelo loteamento dos residenciais Tívoli 1 e Tívoli 2, Renato Aiello conta que sugeriu nomes de cidades e artistas italianos como Michelângelo, Da Vincci e Dante Alighieri. Eles foram aprovados e mantidos. “Temos descendentes italianos”, justifica.

O nome do bairro - Tívoli - também é de origem italiana. Trata-se da denominação de uma estância hidromineral localizada nas proximidades de Roma.

Na opinião de Aiello, não há problemas em dar às ruas nomes de personalidades da cidade ou do País. “É um costume que nós temos de homenagear as pessoas. Já está arraigado na nossa sociedade e não deixa de ser uma coisa bonita”, opina.

Eduardo Ferreira conta que sugeriu para a Quinta Ranieri e para o Residencial Odete nomes de árvores, como aroeira, sibipiruna e jacarandá do campo. “Como há um bosque na Quinta Ranieri, preferimos dar nomes de árvores. No Residencial Odete tem uma área verde e outras áreas que serão revegetadas”, explica.

Ferreira avalia que os bairros que têm nomes diferentes ou temáticos geralmente são condomínios ou loteamentos fechados.

Ele diz que acha interessante os nomes dados às ruas do Vale do Igapó, tais como Alameda dos Pavões, Alameda das Emas, Alameda das Gaivotas, Alameda dos Macucos, Alameda do Faisão, Alameda das Andorinhas, Alameda Águia e Alameda dos Picapaus.

Já Silvio Silvestre diz que preferiu numerar as ruas dos loteamentos e deixar a decisão a cargo dos vereadores. No Jardim Silvestre, sugeriu apenas nomes para duas avenidas, utilizando critério familiar porque quis homenagear os proprietários das terras.

“São as avenidas José Silvestre e Francisco Silvestre. As duas foram mantidas. José é meu pai e Francisco é meu avô”, explica.

No Residencial Francisco Lemos de Almeida, o nome do bairro foi uma homenagem que a herdeira da terra fez ao pai. O loteamento foi registrado em 2001, mas até hoje as ruas não foram nomeadas e o processo está tramitando na Câmara. Os vereadores alegaram que o nome já havia sido dado a uma rua.

Segundo Silvestre, os moradores estão tendo problemas porque as ruas não têm CEP e, portanto, eles não podem receber correspondências.

Silvestre critica o processo de aprovação pela Câmara Municipal. “É uma forma de ganhar o eleitor. Eu acho muito burocrático. Poderia ser mais simples. Os nomes poderiam ser dados pela prefeitura, que tem o cadastro das ruas”, avalia.