09 de julho de 2026
Bairros

Bairros também prestam homenagens

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

O processo de nomeação de bairros difere-se da maneira utilizada para denominar vias públicas, mas há algo em comum: a utilização de nomes de pessoas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), não são os vereadores que dão nome aos bairros. São os loteadores (depois que o loteamento é traçado e aprovado pela prefeitura).

Por isso, há algumas “coincidências”: Ismael Marinho Falcão, um dos pioneiros de Bauru, era dono das terras da Vila Falcão.

A Vila Dutra foi uma homenagem ao então presidente da república. Já a Vila Pacífico recebeu esse nome porque as terras eram de propriedade do comendador Daniel Pacífico.

Segundo o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina, o coronel Manoel Alves Seabra, da antiga Guarda Nacional, foi o fundador da Vila Seabra.

Quando ganharam o prêmio da loteria na década de 20, os irmãos Diógenes e Aureliano Cardia compraram os terrenos da atual Vila Cardia, que foi loteada e “batizada” em 1929.

A titular da Seplan, Maria Helena Rigitano, diz que não há regra definida para os títulos “vila”, “jardim”, “parque” etc. Em parte, variam de acordo com a época.

Os primeiros bairros construídos para ampliação do patrimônio da cidade foram de loteamentos particulares e foram denominados vilas. “Eles davam o nome da irmã, da mãe ou qualquer outro”, expõe a secretária.

Os jardins e parques vêm posteriormente, a partir do conceito dos jardins e parques ingleses. “As vilas são mais antigas. Já o Vista Alegre, apesar de ser de 1948, chama-se parque. Já foi uma tentativa de fazer algo diferenciado”, avalia Maria Helena.

Nas últimas décadas, tornou-se chique chamar um bairro de jardim, ainda que ele não tivesse nenhuma semelhança com os jardins ingleses. “Fica o conceito de que jardim é bairro nobre e vila é um bairro popular. Mas você vai encontrar bairros chamados jardim que não têm nada de nobre. São bairros populares mesmo”, explica a titular da Seplan.