09 de julho de 2026
Polícia

PM lista medidas contra violência

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Na abertura do Fórum Bauru contra a Violência, organizado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção Bauru, com apoio do JC, a Polícia Militar (PM) fez ontem à noite um balanço dos índices de criminalidade do município e apresentou propostas para tentar diminuí-los.

O capitão do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), Manoel Messias Mello, disse que uma das sugestões é a implantação do Termo Circunstanciado (TC) no próprio local da ocorrência, para os crimes mais leves, com pena prevista de até um ano, com isso não haveria mais a necessidade do comparecimento das vítimas, infratores e policiais militares ao Distrito Policial (DP).

Segundo ele, nas cidades em que esse projeto passou a vigorar como experiência, a aprovação dos cidadãos foi grande. “Cerca de 81% das pessoas gostaram de preencher o TC no local dos fatos e 92% dos casos foram solucionados em até 30 minutos”, afirmou.

O capitão também acredita que é importante diminuir o tempo que os policiais passam nos DPs. Ele apresentou um cálculo mostrando que se essa meta for atingida, Bauru teria o equivalente a 52 policiais a mais fazendo o patrulhamento. “Isso é possível se tivermos uma integração com a Polícia Civil”, defendeu.

Messias propôs ainda o aumento das horas de patrulhamento que cada policial realiza e uma melhora no tempo resposta, ou seja, a duração entre uma chamada e a chegada da viatura ao local.

Ele defendeu a reposição e aumento do número de viaturas que circulam na cidade, além da utilização de recursos modernos. “Podemos criar mecanismos com a ajuda da tecnologia, fazendo, por exemplo, o videomonitoramento de alguns pontos, inclusive de bairros periféricos”, declarou.

Já o responsável pelo Comando de Policiamento do Interior (CPI-4), coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, lembrou quais são as prioridades da PM. “Nossa primeira preocupação é o crime contra a vida, que não tem volta. Em seguida, vem o cometido contra o patrimônio”, disse.

Ele comparou índices de homicídios cometidos no País com números dos Estados Unidos. “A cidade de São Paulo, que é a 4.ª colocada no ranking nacional, tem índice menor que Washington”, afirmou.

O coronel também citou dados referentes a Bauru. “Ela está em 46.º lugar de um ranking com 61 cidades, elaborado pelo Instituto Fernando Braudel. Temos que lembrar, no entanto, que nem tudo são flores e temos problemas a resolver”, opinou.

Tema nacional

O vice-presidente do Ciesp, Ricardo Marques Coube, um dos idealizadores do evento, disse que a segurança pública é hoje um tema nacional. “Queremos colocá-la em discussão também em Bauru”, disse.

Para ele, o fórum tem como missão chamar a atenção para a questão. “Não vamos resolver os problemas, pois as causas extrapolam o que estamos fazendo aqui, mas queremos fazer uma parte e evoluir no que pudermos interagir. O que se busca é uma participação efetiva da sociedade”, declarou.

Para o presidente da OAB, Édson Reis, o fórum não ficará apenas no campo das idéias. “Conseguiremos tirar propostas concretas e depois concretizá-las”, defendeu.

Ele afirmou que o mais importante é promover a interação. “Estamos criando um canal de comunicação entre os poderes constituídos e a sociedade sobre um tema muito relevante, que é a violância. A população está muito insegura em relação a tudo”, opinou.

Durante o primeiro dia de debates, a professora da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Egli Muniz, revelou dados de uma pesquisa intitulada Projeto de Mobilização contra a Violência. “Em Bauru, temos fortes contrastes sociais, como avenidas de um lado e casebres onde residem milhares de famílias, na periferia, do outro”, disse.

Segundo o levantamento, o rendimento mensal de um chefe de família que mora no Jardim Estoril é de R$ 4.792,00, contra apenas R$ 292,00 de um morador da favela.

A mesa de debates contou ainda com o coronel José Alexandre Cintra Borin, comandante do 4.º BPMI, do representante dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), Primo Mangialardo e do coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Bauru, Sandro Fernandes.

Programação

O Fórum Bauru contra a Violência prossegue hoje, às 19h30, no auditório da OAB. O tema é o trabalho da Polícia Civil. Amanhã é a vez da Promotoria e, na quinta-feira, o Judiciário. O evento termina na sexta-feira, com a presença do secretário estadual de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho.