08 de julho de 2026
Geral

Acidente com skate expõe a necessidade de equipamentos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A morte do promotor de vendas Rodrigo Alexandre, 21 anos, após sofrer um acidente quando andava de skate, expõe a necessidade do uso de equipamentos de segurança na prática do esporte. O rapaz caiu do skate quando descia a avenida Arnaldo de Jesus Carvalho Munhoz, na zona sul, no último dia 31.

Alexandre que, segundo seus familiares não estava usando capacete, bateu a cabeça e teve traumatismo craniano. Ele foi socorrido e permaneceu internado no Hospital de Base até sexta-feira passada, quando morreu. “Talvez se ele estivesse com capacete não teria morrido”, diz Victor Alexandre Neto, irmão de Rodrigo.

Ele conta que seu irmão praticava o esporte há vários anos e era considerado um skatista hábil. “Ele andava muito bem de skate e já tinha descido aquela avenida (onde ocorreu o acidente) várias vezes”, afirma.

O neurocirurgião Gustavo Ducati, integrante do Projeto Pense Bem, que desenvolve trabalho de orientação e prevenção a acidentes, confirma que equipamentos de segurança poderiam ter evitado a morte do skatista. “Capacete, cotoveleira e joelheira são equipamentos obrigatórios para o skatista. Mas além disso, é preciso muita atenção aos veículos, aos obstáculos e principalmente não abusar da velocidade”, orienta.

Ele explica que mesmo a experiência não livra o skatista de acidentes. “Em alta velocidade, se ocorrer uma queda, experientes e iniciantes igualam-se”, frisa. Nas ruas, o risco é ainda maior que em pistas em ambientes fechados. “O risco aumenta porque, além da queda, pode ocorrer acidente com carros, motos”, diz.

Ducati frisa que profissionais do skate não abrem mão dos equipamentos de segurança. “Tem que usar, mesmo que seja só para descer duas quadras. São nos pequenos trajetos onde mais ocorrem acidentes”, lembra.

Porém, acidentes fatais como o que vitimou Alexandre são raros no skate, de acordo com Ducati. “Não é comum, mas pode ser fatal ou deixar seqüelas”, observa.

O skatista Carlos Eduardo Oliveira, 17 anos, confirma que a maioria dos adeptos do esporte não usa equipamentos de segurança. “A gente sabe que protege, mas atrapalha nas manobras. Eu mesmo não uso”, diz.

O preço dos equipamentos seria outro dificultador. “Um capacete bom custa R$ 70,00. A maioria não tem dinheiro para comprar”, alega. “A gente quer um lugar seguro para praticar o esporte, o que Bauru não tem”, cobra.

Nélson Pereira, que mora na avenida onde Alexandre sofreu o acidente, conta que aos sábados é comum skatistas descerem a via em alta velocidade. “Eles aproveitam que não tem movimento na avenida por ser final de semana e descem com tudo”, relata.

Os moradores já solicitaram inclusive um obstáculo redutor de velocidade para a avenida à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), de acordo com Pereira.

• Serviço

O Projeto Pense Bem coloca-se à disposição de escolas para dar palestras sobre prevenção de acidentes. A ONG, junto com a Polícia Militar, vai oferecer cursos de direção defensiva para motociclistas e ciclistas e demais interessados nos próximos dias 13 e 27. Mais informações na Associação Paulista de Medicina (APM), pelo telefone (14) 223-9455, com Soraia.