08 de julho de 2026
Polícia

Polícia Civil quer criar mais 2 DPs

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A Policial Civil de Bauru pretende aumentar de quatro para seis o número de Distritos Policiais (DPs) na cidade. A proposta foi apresentada ontem, no segundo dia do Fórum Bauru contra a Violência, uma iniciativa do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção Bauru, e que conta com o apoio do JC.

O delegado seccional assistente, Luís Henrique Casarin, explicou como seria feita a ampliação. “Nós dividiríamos as áreas do 1º e 3.º DPs, que são as mais carregadas em números de ocorrências. O 5.º DP atenderia o Centro e os demais ficariam com os bairros”, disse.

O delegado seccional, Antônio Angelo Ciocca, fez uma comparação para reafirmar a reivindicação. “Jaú tem um terço da nossa população e o mesmo número de DPs de Bauru”, revelou.

O diretor do Departamento de Polícia Jurídica do Interior-4 (Deinter-4), Anivaldo Registro, apontou uma das causas para o número reduzido de unidades em Bauru. “Falta representatividade política, mas o secretário de Estado da Segurança Pública já está sabendo do nosso projeto”, afirmou.

Casarin apresentou outra proposta da Polícia Civil para melhorar a segurança em Bauru. “Um dos nossos desafios é implantar a Delegacia de Polícia Participativa, que representa um novo padrão em termos de atendimento. Os boletins de ocorrência, por exemplo, serão substituídos por um registro digital, que facilita o nosso trabalho, pois busca informações em outros bancos de dados”, declarou.

Ele apontou outras vantagens dessa delegacia. “Haveria uma diminuição no tempo de espera. Poderíamos ter duas áreas, uma para a população e outra para a Polícia Militar, o que resolveria o possível problema do atraso na liberação das viaturas”, disse.

Durante os debates, foram sugeridos ainda a construção de um Centro de Ressocialização Feminina e a reforma dos prédios da Delegacia Seccional e do 1º DP.

Para Ciocca, a criação da Guarda Municipal, que seria mantida pela prefeitura, também traria benefícios no combate ao crime. “Isso já foi até discutido em um outro simpósio. Nas cidades em que ela existe, como Marília, Americana e Paulínia, funciona bem”, defendeu.

TC

O diretor do Deinter-4 falou sobre a proposta apresentada pela Polícia Militar, na abertura do fórum anteontem, sobre a implantação do Termo Circunstanciado (TC) no próprio local da ocorrência para crimes mais leves, com pena prevista de até um ano. Nesses casos não haveria mais a necessidade do comparecimento das vítimas e dos infratores ao DP.

Ele fez ressalvas ao projeto. “Esse fato está em experiência há mais de um ano em alguns lugares como São José do Rio Preto, o que significa que o remédio ainda não está pronto. Existem alguns problemas que talvez impeçam o desencadeamento do processo, como os que envolvem os crimes contra as mulheres. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de lá, por exemplo, está ficando ociosa”, afirmou.

A mesa de debates foi composta ainda pelo delegado adjunto do Deinter-4, Carlos Alberto Abrantes, o diretor regional do Ciesp, José Luiz Miranda Simonelli e o membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Caio Márcio Siqueira.

____________________

Carta

O Fórum Bauru contra a Violência tem como objetivo levantar propostas que possam diminuir os índices de criminalidade do município.

A cada dia, uma instituição participa dos debates. Hoje é a vez dos representantes da Promotoria. O encontro é às 19h30, na sede da OAB.

O fórum termina na sexta-feira, com a presença do secretário de Estado da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho. Ele receberá uma carta com as principais idéias levantadas.