08 de julho de 2026
Articulistas

O álcool e a violência


| Tempo de leitura: 3 min

“Pesquisa divulgada em 19 de maio p.p. pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que em 52% dos casos de violência doméstica em SP, o agressor estava alcoolizado.” Como você pode perceber, em muitas situações o álcool favorece a resolução dos conflitos de forma violenta. Isso não é novidade, tenho certeza, mas é bom que a pesquisa evidencie tal fato de forma mais enfática, pois assim temos certezas e não suposições. Faz tempo que a bebida contribui para a desolação familiar, o crime, a contenda, o ridículo e a humilhação. Só quem convive com um alcoolista entende bem o que estou tentando trazer à tona. A bebida já desgraçou vários lares, pôs fim a uma série de casamentos, levou muitos a total ruína. Inúmeros são os prejuízos causados pelo álcool e, como se não bastasse, é o responsável pelo maior número de acidentes automobilísticos. Alguma outra pesquisa apontou que a bebida é a maior causa de mortes no trânsito.

E aí? Vamos ficar indiferentes?! Vamos continuar com pena dos bêbados infelizes e passando a mão nas cabeças dos jovens imprudentes? É tão mais fácil, não é mesmo? Afinal, as pessoas bebem para esquecer seus males, suas dores, seu cruel destino... Coitadinhas! A gente apenas esquece que beber, antes de se tornar vício, é mau hábito. E os hábitos são aprendidos e ensinados, em casa, na rua, com “amigos”, com parentes, com os próprios pais. Depois, quando o filho se transforma num beberrão vem a dor do arrependimento. As pessoas têm diversos graus de tolerância à bebida. O que deixa um embriagado pode não alterar o outro. Competições para ver quem agüenta mais são completamente ridículas e, ainda hoje, tão usuais. Tem gente que ri quando vê o outro completamente “grogue”, desestabilizado pelo excesso de álcool no organismo, à beira de um coma alcoólico. É tão engraçado, não é mesmo?!

As brincadeiras vão dando lugar à realidade, e passa a não ter tanta graça assim. Tais episódios vão se repetindo com maior freqüência e já sem tanta inocência. A agressividade aparece sorrateira, sem ter sido convidada, mas dá mostras de que veio pra ficar, acabando com o bom senso, o “deixa-pra-lá”, o “conversando a gente se entende”. Procuram-se culpados por todos os lados mas... Aonde estão? Sumiram; saíram correndo... Desgraça a gente gosta de ver de longe, preferencialmente bem longe da nossa casa. Puxa mas, e os amigos?! Aqueles com os quais se dividia a bebida, afogava-se as mágoas? Xiii... Eles também se foram. Restou pouco então, senão a própria vergonha, se é que ela ainda existe.

Pare de jogar a culpa nos outros acerca de sua própria desgraça. Admita que você bebe porque quer. Que é com suas pernas que vai até o próximo bar. Que é com suas próprias mãos que ergue o copo até a boca e afoga de vez as esperanças de reencontrar a sua dignidade. Pare de por a culpa no mundo. Ele é igual para todos e não seria pior para você. Acorde enquanto é tempo. Decida mudar de vida; só você pode fazê-lo. Socorra-se com as pessoas que já passaram por isso e podem ajudá-lo. Procurar ajuda não é vergonhoso. Vergonhoso é continuar vivendo desse jeito. Forçando as pessoas a conviverem com alguém por dó, ou o que é pior, por medo. Faça um favor a sociedade: diminua a estatística acima. Pare de beber e de arruinar a vida alheia e a sua própria. Se você quiser, você pode. Por favor, queira. (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga – mrghtin@ig.com.br)