08 de julho de 2026
Turismo

Paraitinga das festas

Por Eliane Barbosa | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

A Festa do Divino acabou no domingo, mas São Luís do Paraitinga, “a mais brasileira das cidades paulistas”, continua à espera de visitantes.

Quem estiver programando ir a Ubatuba no feriado e tiver um tempo extra, não vai se arrepender de parar na cidadezinha encravada na Serra do Mar, em pleno Vale do Paraíba.

Distante apenas 170 quilômetros de São Paulo, a bucólica São Luís de Paraitinga ganhou fama pela qualidade das festas que promove e pela arquitetura secular que preserva.

Quase uma centena de casarões e sobrados espalham-se por suas ruas, formando o maior acervo de arquitetura colonial do Estado de São Paulo.

E é neste cenário que lembra os séculos 18 e 19 que são realizadas as exibições de danças folclóricas, as procissões, as novenas e grande parte de seus 10 mil cidadãos entregam-se ao ritmo contagiante do forró. Lembra uma cidade nordestina onde o folclore é levado a sério.

Para se ter uma idéia, no começo de junho, durante a Festa do Divino Espírito Santo, cerca de 40 bois são mortos pelo festeiro para a preparação do afogado, o prato típico do Interior Paulista servido para mais de 5 mil pessoas.

Em um galpão típico em meio a comilança são realizadas apresentações de danças, como a congada, moçambique, folia de reis e cavalhadas e procissões se sucedem atraindo a cada ano mais gente.

A festa durou dez dias - foi até domingo - mas durante todo o mês de junho são realizadas quermesses e festas juninas na cidade. Em agosto, é hora de outra grande comemoração: a festa do padroeiro local, São Luís de Tolosa (dia 24) quando a cantaria de modinhas e os fogos voltam às ruas.

Assim como acontece em Olinda, em Pernambuco, durante a festança da pequena São Luís de Paraitinga, estão presentes dois bonecos de três metros de altura, o João Paulino e a Maria Angu. Equilibrados em pernas de pau, eles desfilam pelas ladeiras estreitas da cidade.

____________________

Sotaque caipira

Apesar da proximidade com a Capital Paulista, uma breve conversa com um luisiense já lhe trará a certeza de estar pisando em território tipicamente caipira.

Basta visitar São Luís de Piraitinga num dia comum, longe das festas, e perceber o charme bucólico desse lugar que não perdeu suas raízes.

Por todos os lados, gente com chapelão de caubói, a cavalo ou de bicicleta, levando verduras ou galinhas, jogando porrinha (um jogo de palitos, costume antigo da cidade).

Trocam um dedo de prosa e te convidam para um “cafezim e um queijim” sem presa de nada.

A cidade se orgulha de ser um dos últimos redutos caipiras. “A tecnologia está acabando com as tradições, mas faremos de tudo para manter as nossas”, diz Jú Preto, de 22 anos, que aprendeu com o tipo Benedito, o Porvinha, a fazer os bonecos de papel machê João Paulino e Maria Angu, vendidos lá, e que ajuda manter acesa essa tradição. (AE)

____________________

Passagem de tropeiros

Fundada em 1769, a cidade nasceu como ponto de passagem dos tropeiros que traziam o ouro de Minas Gerais em direção ao Porto de Ubatuba.

Era uma alternativa à Trilha dos Tamoios, que conduzia até o Porto de Paraty, no litoral carioca. O povoado foi reconhecido como cidade imperial e chegou ao enriquecimento um séculos depois, graças a plantações de milho, cana e feijão e, principalmente, ao fato de escoar para a praia a produção do café do Vale do Paraíba. (AE)