Por mais prudência que se tenha, nenhum motorista está livre de se envolver em um acidente de trânsito, capaz de gerar terríveis dores de cabeça aos proprietários de automóveis. Entretanto, quando o carro não tem seguro e a ocorrência provoca danos que obrigam uma grande despesa, o problema é ainda mais grave. Nestes casos, a solução pode ser uma só: vender o veículo.
Para o bauruense Paulo Roberto Cestari, proprietário de uma empresa especializada no comércio de peças de automóveis envolvidos em acidentes, um veículo batido deve ser vendido se o preço do conserto ultrapassar em 70% seu valor de mercado. “A transação evita todo o transtorno do conserto, além de diminuir o tempo em que o motorista ficará sem utilizar o veículo”, considera ele.
Entretanto, continua o empresário, antes de chegar a tal conclusão o dono do automóvel deve seguir alguns passos. O primeiro é fazer um orçamento a fim de contabilizar o custo total dos reparos. Nessa etapa, aconselha Cestari, o ideal é simulá-lo com dois tipos de peças: novas e recondicionadas ou seminovas.
Depois de avaliar o tamanho do “rombo” no bolso, é hora de checar o valor do modelo no mercado. Nessa hora, a saída é efetuar pesquisas em tabelas de jornais ou diretamente em estacionamentos e concessionárias autorizadas. “Não adianta nada a pessoa achar que o carro vale uma certa quantia. Ela tem de saber o preço praticado pelo setor”, ressalta o comerciante.
Só depois desses dois “mandamentos” é que o dono do carro deve avaliar se compensa ou não deixá-lo na funilaria e na oficina mecânica. “Se o estrago for superior a 70% do valor do automóvel, a venda para um desmanche legalizado é inevitável”, enfatiza Cestari, que há 25 anos atua no ramo.
O reparo torna-se viável, conforme o empresário, se em um dos orçamentos efetuados pelo motorista o preço total, já levando em conta o valor de mercado do auto, ficar abaixo dos 70%. “Isso é possível, principalmente, se o proprietário do veículo optar pelas peças seminovas, que chegam a diminuir em até 50% o custo de uma avaliação dos gastos”, frisa ele.
Tal opção, segundo Cestari, é especialmente útil para quem não possui poder aquisitivo suficiente para adquirir um novo automóvel. A única desvantagem, complementa o comerciante, é que a pessoa passará um bom tempo sem poder utilizar o veículo. “Infelizmente, é o preço que ela terá de pagar pela dor de cabeça provocada pelo acidente. Mas, ela ficará com o carro e, aos poucos, o irá reparando”, diz.
Além disso, o empresário destaca que, por melhor que seja a qualidade do conserto efetuado no carro, sua desvalorização é inevitável. Segundo Cestari, um veículo batido e, posteriormente, arrumado chega a perder entre 5% a 10% do valor em uma futura revenda. “Você aceitaria pagar o mesmo preço por dois automóveis iguais, mas que um deles tenha se envolvido em um acidente?”, questiona ele.
Olho vivo
O empresário faz, ainda, um alerta para os donos de automóveis que, após sofrerem danos de grande monta, não tiverem outra alternativa senão vendê-los a um desmanche. Cestari chama a atenção para a necessidade de se exigir a baixa do veículo, procedimento que visa garantir o “atestado de óbito” do carro.
Ele explica que a medida é necessária para que o ex-proprietário não venha a ter problemas futuramente com os chamados “cabritos”. “Uma pessoa de má-fé pode passar a documentação do veículo acidentado para um outro, esquentando (legalizando) um carro que era produto de roubo”, alerta ele.
Já para quem pensa em adquirir um veículo acidentado e já consertado, Cestari recomenda buscar o auxílio de um mecânico. “Antes de fechar o negócio o ideal é levá-lo até uma oficina de confiança para checar as condições do carro”, salienta o comerciante.
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Os segurados
Apesar dos acidentes sempre proporcionarem dores de cabeça aos donos de automóveis, aqueles cujos veículos forem cobertos por seguros certamente sofrerão menos, mesmo que os danos no carro tenham sido enormes.
É o que garante o corretor bauruense Édson Aparecido de Almeida, da Prata Seguros. Segundo o agente, além de receber integralmente o valor do seu patrimônio, estar segurado evitará gastos adicionais com um eventual terceiro envolvido no acidente. “O pouco dinheiro que a pessoa recebe vendendo um veículo batido pode ser gasto inteiramente apenas para quitar as despesas no automóvel do terceiro”, alerta ele.
Além disso, acrescenta Édson, não há muito mistério para os proprietários de automóveis segurados. Se os danos aos veículos ultrapassarem em 75% o seu valor de mercado, índice estabelecido em cláusulas contratuais, as seguradoras definem a chamada perda total do carro, condição fundamental para ressarcir integralmente o motorista.
Entretanto, explica o corretor, tal critério não é extremamente rígido. “Há uma certa tolerância, pois se os danos atingirem índices próximos a 75% é até uma questão de bom senso estabelecer a perda total. Já se o valor ficar muito abaixo, aí o proprietário banca o valor da franquia e a seguradora o restante dos reparos”, ressalta Édson.
Mas para garantir a plena garantia dos direitos e, principalmente, o ressarcimento dos prejuízos causados em um acidente, o corretor ressalta que o dono de um veículo segurado deve tomar alguns cuidados.
O primeiro deles é elaborar o boletim de ocorrência logo após o acidente, estando ou não errado. Na seqüência, a pessoa deve acionar o corretor de sua confiança para tomar as providências necessárias. “Se o motorista não conseguir localizá-lo, o ideal é ligar para o 0800 da seguradora a fim de fazer a comunicação do sinistro e solicitar um guincho para levar o veículo até uma oficina credenciada”, detalha Édson.
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Exemplo vivo
O comerciante bauruense Miguel Fernando Hernandes é um exemplo vivo de um caso em que vender o automóvel após uma batida foi a única solução.
Tudo começou quando ele ainda era dono de uma Parati 89. Cerca de cinco minutos após estacioná-la, um Voyage em alta velocidade bateu na traseira do modelo da Volkswagen. Resultado: perda total do veículo. “Fui às oficinas, efetuei orçamentos e cheguei à conclusão que não compensa, uma vez que o valor para os consertos ficaria quase no valor integral do carro”, relembra ele.
Além disso, acrescenta Miguel, mesmo se os reparos fossem viáveis financeiramente, ele nunca ficaria tranqüilo em relação à segurança do automóvel. “A colisão comprometeu o monobloco (chassi) do carro e, por melhor que fosse a qualidade do conserto, sempre ia ficar com aquilo na cabeça, uma vez que a estrutura do veículo foi afetada”, destaca o comerciante.
Mas, para sorte de Miguel, ele não precisou adquirir outro auto. “Como tinha dois carros, optei por continuar com apenas um”, finaliza ele.