08 de julho de 2026
Geral

Sobra de comida alimenta 4.500 pessoas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Combater a fome acabando com o desperdício. Esse é o objetivo do Programa Mesa Bauru, implantado há três meses pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), em parceria com a Universidade do Sagrado Coração (USC) e Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio) de Bauru. O projeto já arrecadou cerca de 65 toneladas de alimentos, distribuídas para 4.500 pessoas de 50 entidades assistenciais.

De segunda a sexta-feira, um caminhão isotérmico percorre os 20 estabelecimentos cadastrados recolhendo os alimentos doados. No mesmo dia, é feita a entrega às instituições. “Trabalhamos com os descartes que são feitos por produtores, comerciantes e atacadistas. São produtos que ainda têm condições de consumo, mas não de venda”, conta o coordenador do programa, Luiz Carlos Scartezini Júnior, do Sesc.

O próprio motorista do caminhão e o ajudante fazem a separação dos alimentos. “Eles foram capacitados para isso. Os produtos são separados e acondicionados em caixas atóxicas”, declara o coordenador.

Segundo ele, a distribuição tenta levar em consideração o perfil de cada instituição. “Na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, há crianças com problemas de deglutição. Mandamos para lá os produtos pastosos, os iogurtes”, conta.

Para serem aceitas no programa, as instituições passam por uma inspeção. “Nós fazemos uma vistoria, tanto do trabalho social quanto da instalação física. A responsabilidade é muito grande e não podemos correr o risco de ter uma entidade que dê problemas de alimentação. Vão falar que foi o Sesc que forneceu a comida que causou dor de barriga na criançada”, explica, citando uma situação hipotética.

Ele conta que outras cinco instituições já estão na fila para serem beneficiadas.

Desperdício

Scartezini Júnior afirma que os números do desperdício em Bauru são impressionantes. “A cidade tem condições de doar, hoje, quase 60 toneladas por mês. Isso se não chegar a 80, se pensarmos em estabelecimentos como as fábricas de massas, por exemplo”, declara.

Ele afirma que a idéia é ampliar a estrutura do programa para absorver esses alimentos. “Ainda estamos na fase experimental. No lançamento oficial, tentaremos junto aos empresários locais a doação de mais um veículo. Se tivermos cinco colaboradores que dêem R$ 1 mil por mês, poderíamos dobrar a arrecadação. Já temos alguns doadores interessados em se juntar a nós”, revela.

O aluguel do caminhão isotérmico que já é utilizado custa R$ 5 mil mensais, bancados pelo próprio Sesc.

O coordenador diz, que nestes três meses, já se deparou com algumas situações que demonstram o quanto as instituições necessitam de ajuda. “No primeiro dia de entrega, uma das crianças disse que ainda bem que nós tínhamos ido, pois ela estava cansada de comer somente arroz. E você vê tanta coisa sendo jogada fora”, compara.

Ele conta que o caminhão do programa já virou motivo de alegria em algumas instituições. “Na semana passada, as crianças o estavam esperando na porta de uma das entidades. A coordenadora comentou com a gente que quarta-feira, quando fazemos a entrega lá, é dia de festa, porque tem comida em quantidade e diversidade”, revela.

Cursos

As pessoas que fazem a manipulação dos alimentos nas entidades também estão passando por um treinamento, coordenado pela professora do Departamento de Nutrição da USC, Roseli Aparceida Claus Bastos. Elas já receberam orientações teóricas sobre higiene pessoal e de equipamentos, pré-preparo e armazenamento.

A segunda fase das aulas, que começa amanhã, será feita através de oficinas práticas. “Vamos ter 20 participantes em cada uma delas e 10 minicozinhas. Eles vão aprender na prática”, diz ela, que ministrará essa nova fase do curso ao lado da professora Maria Cecília Vieira Rocha.

Segundo ela, algumas mudanças já puderam ser sentidas no comportamento das pessoas que estão participando do treinamento. “Fizemos uma primeira visita às instituições para ver qual foi a melhora em relação ao que passamos e notamos que, principalmente na parte de higiene, houve um avanço visível”, diz.

A nutricionista conta que a idéia é que os alunos do curso possam servir como disseminadores das informações. “Alguns contaram que já estão passando as apostilas para outras pessoas”, revela.