08 de julho de 2026
Geral

Passeata com pit bulls gera apreensão no Mary Dota

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Uma passeata organizada por proprietários de cães da raça pit bull, realizada na tarde de ontem na avenida Dr. Marcos de Paula Raphael, no Núcleo Mary Dota, deixou os moradores do bairro apreensivos.

O movimentação - que fere a lei municipal que proíbe a circulação de cães ferozes nas vias públicas do município, exceto se presos em corrente conduzido por seus donos e com focinheira colocada na boca - foi organizada pelo professor de jiu-jítsu e vale-tudo Valmir Alves Versati, dono de um pit bull.

Segundo Versati, o objetivo da passeata era mostrar à população e às autoridades que os cachorros não são tão violentos como muitos afirmam. “Essa semana um aluno meu ouviu reclamações de um policial porque estava andando com o cachorro. Então achei que a gente tinha que mostrar que o pit bull não é um monstro”, justifica.

O professor ainda afirma que as pessoas não sabem distinguir o pit bull de raças como o bull terrier e o american stranfordshire terrier, que são parecidos.

Junto com um pequeno grupo de amigos, Versati realizou o passeio com os cães pela avenida acompanhado pela viatura da Base Comunitária Móvel da Polícia Militar.

Apesar da lei municipal, de autoria do vereador José Eduardo Ávila (PP), que entrou em vigor em 1999, a polícia não pode impedir que os donos de cães ferozes andem com os animais nas ruas, tarefa que compete à fiscalização da Secretaria Municipal de Saúde. “Nós orientamos os donos dos animais e informamos que eles poderiam ser responsabilizados em caso de acidente, mas não pudemos impedir”, afirma o tenente da Polícia Militar Joverci Bergamaschi Júnior.

Entre os donos dos animais o discurso é praticamente o mesmo. “Não é o cachorro que é ruim, é o homem. O pit bull só vai ser um perigo dependendo de quem está segurando”, diz o almoxarife Fernando César Leandro, dono de dois cães da raça.

Nas ruas, as pessoas que acompanharam a passeata à distância tinham outra opinião. “Eu acho que uma pessoa não consegue segurar um cachorro deste, nem se ela quiser. A gente nem imagina o que pode acontecer se um desses escapa”, diz a dona de casa Eliane Souza.

Para a agente comunitária de saúde Lúcia Monteiro, os pit bulls não deveriam sair às ruas porque só respeitam os próprios donos, não os estranhos. Na opinião da auxiliar de produção Maria Monteiro, os cães podem ficar incontroláveis se quiserem, o que é um risco. “Não é o dono que leva o cachorro, é o contrário”, diz. Ambas viram os cães e seus donos de longe, espantadas.

O estudante Aloísio Camargo admite que tem medo dos pit bulls e passa longe deles quando os vê. Na sua opinião, levar os animais para as ruas é uma irresponsabilidade que deveria ser punida. “A gente está sempre vendo casos de ataques desses cachorros e ainda tem gente que insiste, é um absurdo”, declara.

Apesar de já vigorar há quatro, a lei da focinheira ainda não gerou nenhum resultado e nenhum animal foi apreendido.