“Ele nasceu da junção de várias áreas do saber humano e da busca de estratégias de superação dos conflitos e doenças do homem contemporâneo. Esse vai ser nosso objetivo maior”. A afirmação é de Regina Célia Paganini Lourenço Furigo, diretora-presidente do Instituto de Psicologia Junguiana de Bauru e Região, fundado oficialmente no mês passado na cidade.
Como o próprio nome já indica, o instituto reúne estudiosos da linha junguiana, corrente fundada pelo suíço Carl Gustav Jung, que se caracteriza pela análise dos aspectos intrapsíquicos e inconscientes das pessoas.
Além de divulgar amplamente a psicologia junto à comunidade, o instituto também pretende facilitar a integração dos conhecimentos das ciências básicas e clínicas, contemplando aspectos biológicos, psicossociais e éticos.
Mas como atingir as metas? Para isso a organização já abriga grupos de estudos e efetua cursos para psicólogos bauruenses e da região, como o de técnicas terapêuticas junguianas. Só que o instituto pretende, ainda, oferecer indicações de profissionais para o atendimento na área de psicologia e prestar, futuramente, serviços psicoterápicos gratuitos, pois o instituto não visa fins lucrativos.
A fim de potencializar e aumentar as possibilidades de ações comunitárias, o diretor científico do instituto, Sidney José de Oliveira, acrescenta que a organização também quer estabelecer parcerias com o poder público e a iniciativa privada e atuar em projetos de cunho social, como já se estuda fazer em uma casa que abriga crianças vítimas de maus-tratos na família.
“Como este local tem muitos problemas, a intenção é levantar suas necessidades e treinar funcionários para prestar o melhor atendimento às crianças enquanto elas estiverem por lá”, enfatiza Sidney. Segundo ele, o objetivo de tais iniciativas visa mudar os conceitos de saúde mental em voga no País. “Queremos incutir na comunidade que isto também é importante”, frisa ele.
Ministrar cursos e palestras também está entre as propostas do instituto. “No ano passado já realizamos um, chamado Dores da Alma e Doenças da Pele, aberto à comunidade, que o recebeu muito bem. Por isso, continuaremos a oferecer cursos de formação e palestras que de alguma forma possam beneficiar a comunidade”, destaca Regina.
Idealismo
Fazer ciência no Brasil não é fácil. Falta apoio e investimentos, lembra a presidente do instituto junguiano.
Por isso, ela espera encontrar as dificuldades. “Enquanto alguns grupos de pesquisa são extremamente privilegiados, outros fazem na raça e idealismo. Esse é nosso caso. Todos aqui estão por sua conta e risco, pois não contamos com qualquer subsídio ou manutenção”, afirma Regina.
Mas como a organização pretende superar a tradicional falta de incentivos à pesquisa e, principalmente, à àrea de saúde mental no Brasil? Segundo Regina, com estratégias práticas para as pessoas saberem da existência do instituto e fazendo-o necessário de alguma forma. “Nossa grande superação será o ideal de levarmos à frente esse sonho de compartilhar, agregar e colaborar”, enfatiza.
Compromisso
A vice-diretora presidente da organização, Mônica Perri Kohl Greghi, sustenta que a formação do Instituto Junguiano no Interior paulista vem preencher uma antiga “lacuna” existente. “Antigamente, os profissionais que se interessavam por essa linha tinham de ir para São Paulo ou Campinas para estudá-la. Agora isso não será mais necessário”, frisa.
Ela salienta, ainda, que o instituto, composto por cerca de 20 sócios-fundadores, não se limita apenas a Bauru. “Não somos um grupo que se formou e ficou por aqui. Muitas pessoas foram estudar em outras localidades e estão trazendo conhecimentos de fora para acrescentar a esse núcleo que quer atender Bauru e região”, diz Mônica.
A vice-presidente informa que o instituto também está aberto a novos associados das mais variadas atividades profissionais, não apenas psicólogos. Entretanto, os que se interessarem deverão encaixar-se no perfil desejado pela organização. “Eles terão de comprometer-se a cumprir o estatuto e possuir um perfil de prestação de serviços éticos e comunitários”, salienta ela.
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Jornada em julho
Apesar de ter sido fundado oficialmente apenas no mês passado, o Instituto Junguiano possui uma longa e vasta trajetória em Bauru. Ela iniciou-se em 1991, ano que marcou o nascimento do curso de técnicas terapêuticas junguianas por um grupo de pessoas a fim de estudar mais profundamente esta linha.
Daquela época até os dias atuais, o instituto cresceu ao mesmo tempo que suas produções científicas também iam se intensificando. No início, os trabalhos eram apresentados apenas entre os próprios membros nos chamados “congressinhos”.
Depois, com a crescente melhoria de qualidade das pesquisas, os integrantes do instituto começaram a submeter seus trabalhos à apreciação de uma comunidade mais ampla, participando de congressos, eventos e organizando uma jornada científica, cuja segunda edição está prevista para se realizar entre os dias 4 e 5 de julho deste ano juntamente com a 7ª Mostra de Pesquisas do Curso de Técnicas Terapêuticas Junguianas.
A 2ª Jornada de Psicologia Junguiana de Bauru e Região e a 7ª Mostra de Pesquisas do Curso de Técnicas Terapêuticas Junguianas será realizada no Centro de Convenções do Obeid Plaza Hotel, na Avenida Nações Unidas, 19-50. As inscrições podem ser feitas de segunda à sexta-feira, na Avenida Rodrigues Alves, 8-4, sala 404, ou pelo telefone (14) 223 2326. As vagas são limitadas.
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Carl Jung criou a psicologia analítica
Carl Gustav Jung (1875-1961) nasceu na Suíça. Desde o início de sua carreira, Jung interessou-se pelos estudos de Freud e utilizava os experimentos de associação como método de exploração do inconsciente.
Em 1906, Jung publicou o Estudo sobre Associações, que enviou a Freud, marcando o início de uma correspondência entre os dois. Em 1907, em contato pessoal com Freud, nasceu uma estreita colaboração que durou até 1912.
Em 1909, por ocasião do aniversário da Clark University, Jung e Freud foram convidados para dar conferências e viajaram juntos para os Estados Unidos. Durante esta viagem, Jung teve um sonho importante para o desenvolvimento posterior de sua teoria e para o rompimento com Freud.
A partir de então, despertou seu antigo interesse pela arqueologia, mitologia e pela filosofia e, de volta a Zurique dedicou-se a estudar amplo material mitológico e gnóstico. Queria investigar os símbolos que os homens vêm usando com objetivos religiosos ou mágicos.
Deste trabalho nasceu o livro Metamorfoses e Símbolos da Libido, publicado em 1912, o qual marcou seu rompimento com Freud.
Neste processo de confronto com o inconsciente, que durou até 1917, a atitude de manter a consciência sempre vigilante, firmemente enraizada na realidade externa, no seu trabalho e na família, deu a Jung o apoio necessário para deixar os conteúdos inconscientes emergirem.
No entanto, faltava-lhe uma base histórica para estas idéias. Em 1928, seu amigo Richard Wilhelm, enviou-lhe um tratado alquimista chinês, O Segredo da Flor de Ouro, pedindo-lhe para fazer um comentário que foi publicado em 1929. Este livro forneceu uma confirmação inesperada de suas reflexões e permitiu aproximar-se da alquimia.
Jung encontrou na alquimia uma base para suas idéias sobre o processo de desenvolvimento e transformação da personalidade e procurou encontrar também uma correspondência ao processo que ocorria especificamente durante a psicoterapia.
Em 1955, aos 80 anos, publicou Mysterium Conjunctionis, que constitui a conclusão do confronto da alquimia com a psicologia do inconsciente.