08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ainda os cinemas


| Tempo de leitura: 2 min

Como é difícil gostar de cinema em Bauru! Sirvo-me deste democrático espaço concedido pelo Jornal da Cidade para apoiar totalmente as manifestações de Ineiland Pinto Medeiros Jr. (9/6) e Perla Rossi (10/6), acerca do estado de penúria em que se encontram todas as salas de cinema de nossa cidade. Quem se aventurar a ir ao Cine Bauru pode levar consigo:

- Almofadas, pois as cadeiras não possuem estofamento já há muitos anos;

- Um bom comprimido anti-alérgico, pois o vetusto carpete que “decora” as salas é uma das maiores e mais fétidas colônias de ácaros em território bauruense;

- Binóculos, pois o operador de projeção, que deve contar com um equipamento de “último tipo” do século dezenove, não tem a mínima idéia do que é “foco” ou “nitidez” da imagem.

Acabou? Ainda não. O som deixa muito a desejar. Quando não está tão baixo quanto um sussurro está arrebentando as caixas de tão desregulado e precário. Assim, qualquer um sai de lá com uma baita dor de cabeça, por melhor que seja o filme.

Na verdade, o sofrido périplo dos cinéfilos bauruenses já está em cartaz logo que se chega às bilheterias do malfadado estabelecimento: letras tortas, apostas em um papel amarrotado, anunciam: ar condicionado quebrado! Mas não é por isso que o preço do ingresso diminuiu. Quem quiser reclamar que vá procurar o bispo!

Peço a todos os leitores que também lamentam esta situação – da qual somos reféns – que reclamem, escrevam sobre os cines Bauru e Shopping. É a única atitude que podemos tomar para pressionar os responsáveis por tanto descaso. Será preciso ir a Jaú ou a Marília para assistirmos a um filme com um mínimo de conforto? Bem, aguardo ansioso pela chegada do megashopping e do Cinemark, o que, com absoluta certeza, selará a melancólica derrocada das atuais “salas de cinema” de Bauru. (Luís Henrique Corrêa dos Santos Clementino - RG 23.880.588-8)