Postar uma carta ou enviar uma mensagem de correio eletrônico? Com o aumento de usuários da rede mundial de computadores, a Internet, a quantidade de cartas simples que passam pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos vem diminuindo nos últimos anos. De 2001 para 2002, a quantidade de cartas simples postadas nos Correios no Interior e no litoral de São Paulo diminuiu 28%.
A informação é da assessoria de comunicação social da Diretoria Regional de São Paulo Interior dos Correios. Já o serviço de Sedex (encomendas com entrega expressa) teve um aumento de 5,1% em 2002, em relação a 2001, provavelmente devido ao crescimento do número de compras em sites da Internet, informa a assessoria.
Karina Bragança, 24 anos, é uma das pessoas que tinha costume de enviar cartas a amigos, mas com a facilidade da Internet, agora só manda e-mails. “Eu não conheço mais ninguém que tem costume de mandar carta. Outro dia, um amigo com quem eu converso por e-mail pediu para eu escrever uma carta. É mais gostoso, você vê a letra, pode sentir o perfume da pessoa. Mas o e-mail é muito mais fácil”, afirma.
Luís Paulo Oliveira, de 15 anos, costumava escrever para os amigos de Bauru quando vivia em Campinas, e agora que voltou a morar aqui, só se comunica com os campineiros pelo computador. “Eu sempre escrevia ou mandava cartão. Hoje, o pessoal reclama que eu não mando mais. O cartão virtual você manda e depois a pessoa perde, sai do ar. Já um cartão de verdade é legal porque você pode guardar pra sempre”, conta.
“Na correria do dia-a-dia, é muito mais fácil enviar um e-mail. Você fala o que precisa em poucos segundos com outra pessoa em qualquer lugar do mundo, é muito mais prático”, opina Milena Marques, 21 anos. Mas ela admite que prefere receber uma carta. “A pessoa tirou um tempo para sentar e escrever e depois foi aos Correios para enviar. Você sabe que ela se preocupou. É gostoso receber uma carta”, diz.
Karina, Luís Paulo e Milena estavam acessando a Internet na Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes” quando conversaram com a reportagem do JC. O acesso lá é gratuito, o único da cidade aberto à população, e faz parte do projeto Acessa São Paulo, do Governo do Estado.
Qualquer pessoa pode participar, mas menores de 16 anos devem realizar a inscrição acompanhados dos pais. É só se inscrever na Oficina Cultural e aguardar sua vez. Cada um tem direito a 30 minutos no computador e se precisar de mais tempo, dá seu nome e espera sua vez de novo.
Papel e caneta
Ao contrário desses três internautas, Rosemeire Fagundes, 33 anos, não tem costume de acessar a Internet mundial e nem se interessa muito pelo assunto. Ela estava na agência dos Correios postando uma carta para uma promoção. “Mas eu sempre mando cartas para amigos e para a família. Vale a pena porque a pessoa sabe que você escreveu pensando nela. E quando você recebe uma carta também é muito gostoso”, diz.
Jeferson Rodrigues Júnior, 27 anos, tem acesso à Internet em seu local de trabalho, mas também estava nos Correios, postando uma carta para seu irmão que vive no Recife (PE). “Eu sempre mando cartas para a minha família. Não tenho computador em casa e meu irmão também não, então a gente se fala por cartas. O e-mail é impessoal. Na carta, você pensa o que vai escrever, vai analisando, usa sua letra. É melhor”, opina.
Para quem ainda prefere escrever “à moda antiga”, os Correios têm o serviço de carta social, que custa apenas R$ 0,01. Mas não é toda correspondência que pode ser enviada como carta social. É preciso que o peso seja inferior a dez gramas (equivalente ao envelope mais uma ou duas folhas de papel), o remetente e o destinatário têm de ser pessoas físicas, e os nomes e endereços, escritos à mão.
Não são aceitos envelopes com etiquetas, impressões de computador ou máquina de escrever. O limite máximo de postagem é de cinco cartas por pessoa, e deve constar na frente do envelope, acima do CEP, a menção “Carta Social”.
• Serviço
A Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes” fica na rua Amazonas, 1-41. Telefone (14) 231-1100.