08 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha


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• Processante

O prefeito Nilson Costa (PTB) vive, desde ontem à tarde, o risco de perder seu mandato com a aprovação de Comissão Processante (CP) pela Câmara Municipal de Bauru, fruto das investigações sobre o pagamento antecipado de carne para a merenda escolar. O placar da votação não foi nada alentador para o prefeito em relação à sequência do processo: 18 a 2.

• Sem sorte

Sem base aliada desde sua posse no mandato tampão (98 a 2000), Nilson contou muito com a sorte até agora. Mas ontem a sorte não esteve mais a seu lado. Os três membros da CP sorteados entre os vereadores são os mesmos que assinaram as denúncias na CEI da Carne ao lado de João Parreira (PSDB) e de Clemente Rezende (PSB). Paulo Madureira (PP), Dota Jr. (PTB) e José Carlos Batata (PT) vão coordenar a CP.

• Diferença

Ontem, o vereador Edmundo Albuquerque (PPS) afirmou, em voz alta e ao vivo, na sessão da Câmara, que antigos aliados da corrupção agora se posicionam pela cassação em nome da moralidade. Para o vereador, ocorre agora uma tentativa de igualar corrupção com incapacidade administrativa, o que são coisas bem diferentes, disse ele.

• Renúncia

Uma mesma palavra foi ouvida ontem de parlamentares que defendem posições políticas distintas neste momento: renúncia. Edmundo e Toninho Garmes (PSDB) afirmaram, cada qual em seu contexto, que o prefeito deve se afastar do cargo para evitar que a cidade sofra sérios prejuízos institucionais. Garmes quer a renúncia por opção política. Edmundo acha que o desgaste de um processo de cassação seria ainda pior.

• Expectativa

O prefeito Nilson Costa deixou para hoje, ainda sem horário definido, sua manifestação oficial sobre a instalação da Processante. Certamente, Nilson sabe que no calor dos fatos as palavras podem sair mais quentes do que seria normal. Por isso, esfria a cabeça e, ao mesmo tempo, cria uma grande expectativa para o pronunciamento.

• Calmaria

A movimentação extraplenário foi bem menos intensa ontem do que na sessão de segunda-feira passada, quando foi votado o relatório da CEI da Carne. Os nilsistas foram em número bem menor, todos já sabendo, de uma forma ou de outra, que as chances de barrar a instalação da Processante eram mínimas.

• Em ordem

A Polícia Militar, novamente, tratou de resguardar a ordem dentro e fora do prédio da Câmara. A votação da Processante contra o prefeito levou a corporação a montar um esquema especial, com várias viaturas e diferentes equipes espalhadas. Mas o público de ontem foi menor em frente à Câmara comparado com o da semana anterior. A galeria, porém, lotou.

• No plenário

No plenário, os vereadores também conseguiram conter os ânimos e nenhuma questão mais embaraçosa surgiu. Apenas no início da sessão, integrantes da oposição movimentaram-se contra uma reunião da Mesa Diretora que ocorreu em uma das salas internas.