10 de julho de 2026
Articulistas

Salvem-se os pequeninos!


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Dados altamente significativos sobre a mortalidade infantil no País foram divulgados, há pouco, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dando conta de que o último Censo Demográfico revelou ter o preocupante problema caído para 38% no decênio, representados por 29,6 crianças mortas com menos de 1 ano de vida para cada mil nascidas vivas. Mas os recenseadores constataram muitas desigualdades regionais, todas merecedoras de reflexões. Exemplificando, no Nordeste a taxa é de 44,2 crianças por mil, contra 29,2 no Norte, 21,2 no Centro-Oeste, 20,6 no Sudeste e 19,7 no Sul. Não obstante, o Brasil conseguiu, elogiavelmente, cumprir a meta que lhe foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas, na Assembléia Especial sobre a Criança, em 1990, no sentido de reduzir imediatamente em um terço a taxa da mortalidade de tal tipo. Advertem, porém, fontes do Ministério da Saúde, de que o índice ainda é preocupante devido à existência de uma mortalidade de crianças por causas plenamente evitáveis, entre elas a diarréia. De qualquer forma, resta uma euforia muito justificada de parte dos mentores da Pastoral da Criança em função da jubilosa certeza que tem de que pela primeira vez na história do País a taxa ficou abaixo de 30 crianças que morrem antes de completarem o primeiro ano de idade, entre mil. É um regozijo, porém, que não fica adstrito às autoridades do setor, pois que se insere, em pé de igualdade, o júbilo de toda a população, principalmente dos casais parturientes, que sonham com os filhos nascentes avançando tempos afora, sorrindo em vez de chorando, longe dos desafios das doenças alcunhadas de infantis. Oxalá possam sorrir também os futuros pais observando que as novas pesquisas censitárias, que acontecem de dez em dez anos, revelem mais declínios e, um dia, possa ter a ventura de o País respirar aliviado, constatando que o falecimento de recém-nascidos desabou para tamanhos igualmente inexpressivos. Não podem, porém, as autoridades, muito menos os genitores, deixar que o desafio aconteça sem maiores esforços seus, sendo imprescindível a contribuição de todos para que a nossa comunidade infantil não permaneça estática, mas, sim, se coloque eternamente nos calcanhares dos maiores, marchando com eles até quanto possam. Salvem-se os pequeninos são as palavras de ordem! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)