08 de julho de 2026
Bairros

Campanha do agasalho é prorrogada

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) decidiu prorrogar a campanha do agasalho iniciada no último dia 21 e que estava prevista para terminar hoje. O motivo para estender o período de coleta é a baixa quantidade de material doado até agora: apenas cerca de oito mil peças, segundo Maria Inês Garcia Bini, secretária interina da Sebes.

No ano passado, a campanha do agasalho realizada pela Sebes em conjunto com a Defesa Civil arrecadou cerca de 60 mil peças de roupas e calçados. “Nós priorizamos os bolsões de pobreza, onde está a população mais necessitada. À medida que as doações chegam, já estão sendo distribuídas. Até agora, com as oito mil peças, atendemos o Parque Jaraguá, o Núcleo 9 de Julho, a Vila Zillo e o Parque das Nações. Mas são 18 bairros”, frisa Bini.

Por isso, a secretária interina da Sebes pede à população que colabore com a campanha, depositando peças de vestuário, calçados e cobertores em qualquer um dos postos de coleta (veja quadro abaixo). “Hoje (ontem) recebemos doações da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Polícia Militar e dos Correios e estamos definindo onde distribuir. Acho que dará para atender dois ou três bairros”, diz.

A secretária também pede aos organizadores das campanhas de agasalho paralelas que entrem em contato com a Sebes, para saber quais bolsões de pobreza ainda não receberam doações. “O nosso objetivo é evitar que um bairro receba doações duas vezes e outro, nenhuma”, explica.

Ausência de frio

A Sebes e a Defesa Civil tem duas hipóteses para explicar a baixa doação de agasalhos: a demora da chegada do frio e o empobrecimento da população. “Só quando esfria de fato é que as pessoas pensam no irmão que mora na favela e precisa de um agasalho”, frisa Bini. “No ano passado já tivemos que estender a campanha até agosto por causa da demora da chegada do frio”, completa.

Álvaro de Brito, coordenador municipal da Defesa Civil, há anos vem observando a redução do material doado e a queda na qualidade. “Atualmente, em função das condições financeiras, as pessoas usam as roupas por mais tempo. Uma peça que poderia ser doada é passada para outra pessoa da família, vira agasalho para o cachorro e até pano de chão”, frisa.

Ele afirma que até agora a população carente não tem procurado agasalhos na Defesa Civil, mas com a chegada de uma frente fria, prevista para esta semana, os pedidos devem começar. “Assim que esfriar, a população começa a pedir”, diz.

Apesar de concordar que o número de doações está abaixo do previsto, ele acredita que a campanha poderá atender todos os necessitados. “Se uma empresa grande fizer uma campanha interna, em que todos os funcionários colaborem, poderá sozinha coletar 2 mil, 3 mil peças”, diz.

Voluntária

Maria Madalena Braz de Oliveira, a Madalena Branca, é uma das voluntárias que organizam campanhas de agasalho paralelas. Ela arrecadou cerca de 2 mil peças de vestuário e calçados na região em que mora, no Jardim Redentor, e na escola Luiz Zuiani, número abaixo do esperado. “Colei cartaz da campanha no bairro inteiro, mas faltou colaboração”, diz.

Ela está acondicionando as doações em sacolas, que serão entregues a famílias do Ferradura Mirim. “Cada sacola tem cinco, seis peças. Vamos entregar só para os mais necessitados”, frisa. A distribuição deve ser feita na próxima semana.

Por enquanto, os moradores do Ferradura Mirim não receberam nenhuma doação de agasalhos, segundo Giselle Moretti, presidente da associação de moradores do bairro. “Como ainda não está frio, ninguém tem nos procurado pedindo agasalhos. Mas quando esfriar, com certeza muita gente vai precisar de doação”, afirma.